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ABSURDO SEM FIM

(Leia primeiro o post abaixo) Alguém está surpreso com o fato de Lula fazer pressão contra o governo de Honduras, tentando lhe impor uma agenda, como se aquele país não tivesse, além do Executivo, um Judiciário, um Congresso e um Ministério Público? Como aqui se disse tantas vezes, de todas as besteiras feitas pela diplomacia […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 15h24 - Publicado em 3 Maio 2010, 21h02

(Leia primeiro o post abaixo)

Alguém está surpreso com o fato de Lula fazer pressão contra o governo de Honduras, tentando lhe impor uma agenda, como se aquele país não tivesse, além do Executivo, um Judiciário, um Congresso e um Ministério Público? Como aqui se disse tantas vezes, de todas as besteiras feitas pela diplomacia brasileira, Honduras foi a mais evidente, a que foi compreendida com maior clareza.

Lula, o grande amante da democracia, está esquentando os motores para se encontrar com Mahmoud Ahmadinejad — aquele, sim, um grande democrata, cuja eleição, como sabemos, esteve acima de qualquer suspeita. O grande amigo dos irmãos Castro, parceiro de Hugo Chávez e incentivador de Evo Morales não tem ainda certeza sobre a democracia em Honduras, que realizou eleições limpas e evitou, com a sua Constituição democraticamente votada e instituída, um golpe de estado bolivariano.

O presidente que se nega a reconhecer o governo de Honduras e que incita outros a fazerem o mesmo foi um dos grandes defensores do fim da resolução que impedia o retorno da tirania cubana à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Lula dá seqüência ao comportamento detestável de seu governo na crise hondurenha:
1 – negou-se a reconhecer que a deposição de Manuel Zelaya era constitucional;
2 – apoiou a iniciativa de Chávez, que invadiu o espaço aéreo hondurenho para tentar reinstalar Zelaya no poder na base do porrete;
3 – participou da conspirata que instalou Zelaya na embaixada brasileira, levando ao país o risco da guerra civil; só não aconteceu nada porque o chapeludo era odiado pela esmagadora maioria dos hondurenhos;
4: comandou a defesa de pesadas sanções àquele país miserável — no caso do Irã nuclear, diz aos quatro ventos que sanções só punem o povo;
5: negou-se a reconhecer o processo eleitoral;
6: nega-se a reconhecer o resultado das eleições.

Qual é a justificativa oficial? Não se pode, diz, endossar um governo que nasce de um golpe de estado. Todos sabemos que não houve golpe em Honduras. Mas digamos que tivesse havido: e endossar governos que nascem de golpes dados com o auxílio das urnas? Isso pode?

Além da questão propriamente ideológica, que hoje marca o Itamaraty, a perseguição ao governo hondurenho tem raízes na tola ambição do governo brasileiro de afrontar os Estados Unidos. A coisa é simples e tacanha assim: “Se Washington reconhece, então nós não reconhecemos”.

A eleição hondurenha não derramou uma gota de sangue e não custou uma vida. A do Irã mandou adversários de Ahmadinejad para a forca. O presidente do Irã merece o apreço de Lula; o de Honduras, ele trata como usurpador. Um governo nascido do voto é tratado como pária; a ditadura cubana, que se sustenta com a polícia política, é paparicada. É fato que ele atingiu o seu ápice quando comparou presos políticos a bandidos comuns. Mas a reiteração da estupidez não deixa de espantar.

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