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Reinaldo Azevedo

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A reação da Itália é proporcional e justa

(leia primeiro o post abaixo)A indignação do governo italiano é compreensível. Os motivos alegados por Tarso Genro para conceder refúgio ao terrorista Cesare Battisti não se sustentam. Reportagem da VEJA desta semana evidencia que as coisas não se passaram como diz o ministro da Justiça. Não só isso. Em seu despacho, Tarso se mete na […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 18h16 - Publicado em 27 jan 2009, 16h30
(leia primeiro o post abaixo)
A indignação do governo italiano é compreensível. Os motivos alegados por Tarso Genro para conceder refúgio ao terrorista Cesare Battisti não se sustentam. Reportagem da VEJA desta semana evidencia que as coisas não se passaram como diz o ministro da Justiça. Não só isso. Em seu despacho, Tarso se mete na economia interna do Judiciário italiano e ainda põe o estado de direito do país sob suspeição.

Comecemos pelos motivos alegados por Tarso. Lê-se na VEJA:
A reportagem de VEJA refez na semana passada o mesmo estudo que Tarso Genro garantiu ter feito. Além de ler os autos de cinco tribunais internacionais, a revista entrevistou magistrados italianos diretamente responsáveis pela investigação dos crimes de Battisti. Os resultados obtidos desmentem em sua essência todos os argumentos do ministro da Justiça brasileiro.
• Battisti teve direito a ampla defesa. O histórico da defesa é narrado em minúcias no documento em que a Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, justifica a decisão de extraditar o terrorista para a Itália.
• A condenação de Battisti não se deu com base em um único testemunho. “Numerosos terroristas confirmaram as declarações de Mutti, assim como outras testemunhas”, afirmou a VEJA o procurador da República de Milão Armando Spataro. A revista Panorama reproduz o depoimento de uma dessas testemunhas. Maria Cecília B, ex-namorada do terrorista, relatou às autoridades italianas: “Na primavera de 1979, Battisti, ao descrever-me a experiência de matar uma pessoa, fez referência ao homicídio de Santoro (o agente penitenciário Antonio Santoro) indicando a si mesmo como um dos autores”. Em documento da Justiça italiana obtido por VEJA, testemunhas oculares relatam a presença de Battisti em dois dos homicídios.
• Mutti, o delator premiado, não mudou de identidade nem está desaparecido. Entrevistado por Panorama, relatou como ele e Battisti mataram um agente penitenciário.

Despacho desastrado
Tivesse Tarso ficado nos seus, serei bonzinho, “equívocos”, vá lá. Mas o ministro se mete a tecer considerações sobre a política interna italiana do passado e, pasmem!, do presente. Ao afirmar que Battisti corre o risco de ser politicamente perseguido, trata um país em que vige plenamente o estado democrático e de direito como uma ditadura vagabunda.

Desconsiderar os crimes de Battisti para lhe conceder asilo, diante de uma sociedade em que o combate ao terrorismo custou tão caro, já é acintoso, desrespeitoso. Fazê-lo arvorando-se de professor de direito, como a dar pitos no sistema político italiano, bem, aí já é demais.

O Itamaraty, ignorado por Tarso ao conceder refúgio (o ministério era contra) e também ao redigir a carta endereçada ao presidente da Itália, assinada por Lula, cumpre o protocolo e defende a medida. E tenta jogar água na fervura. Em nota, afirma: “O governo brasileiro reitera a confiança expressa pelo presidente da República, em sua carta dirigida ao presidente da Itália, de que os laços históricos e culturais que unem o Brasil e a Itália continuarão a inspirar nossos esforços com vistas a aprofundar ainda mais as sólidas relações bilaterais nos mais diversos setores”. Então tá.

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