A Parte e O Todo: tentando negar-se, PSDB cai de boca na agenda do PT
Os jornais desta quarta amanheceram coalhados de manifestações de tucanos que estariam descontentes com a polarização que se teria criado entre Lula e FHC — olhando para o passado — e não entre Lula e Alckmin, que seria voltada para o futuro. E tudo isso a pretexto de o PSDB não se deixar pautar pela […]
Os jornais desta quarta amanheceram coalhados de manifestações de tucanos que estariam descontentes com a polarização que se teria criado entre Lula e FHC — olhando para o passado — e não entre Lula e Alckmin, que seria voltada para o futuro. E tudo isso a pretexto de o PSDB não se deixar pautar pela agenda do PT! E isso que se vê é então o quê?
Não sei o que se passa lá nas hostes tucanas e menos ainda com quais critérios essa gente analisa a política. Do que adianta negar FHC três vezes antes de o galo cantar? Por acaso alguém está cumprindo algum secreto roteiro divinal? Por que os tucanos teriam de se descolar da sua herança? Não seria muito melhor colar Lula à dele? Ora, ao proceder assim, fazem justamente aquilo que dizem tentar evitar: deixar-se pautar pelo PT. Isso é tristemente óbvio. E ainda parece que corre da briga, o que o povo não perdoa.
Essa bateção de cabeça evidencia, por enquanto, duas coisas: não se tem ainda o objeto da campanha — afinal, Alckmin por quê? —, e a coordenação ou inexiste ou funciona muito mal. Que algo não vai bem entre tucanos e pefelistas, disso não se duvide. E, mais uma vez, no centro da discórdia, está Lula: pegar leve, anunciando amanhãs sorridentes, ou partir para a desconstrução? Todos sabem o que eu acho.
Impressiona que seja Cristovam Buarque, candidato do PDT à Presidência e homem notadamente de esquerda, ex-ministro de Lula, aquele a falar com mais dureza contra o presidente e o PT — Heloisa Helena e sua logorréia estão fora do meu campo de tolerância: minha lista de pilantras certamente não coincide com a dela. Vejam no clipping abaixo: Cristovam aponta com todas as letras o risco da degenerescência da democracia no país. Essa fala deveria ser de Alckmin.
Certo, dirão alguns: Cristovam só tem 1% dos votos e pode falar o que quiser. Ok: ocorre que não se ganha eleição nem com 1% nem com 18%. Os tucanos precisam, como é mesmo?, fazer campanha “sem medo de ser feliz”. Alguns estrategistas vêm com uma conversa mole de que não se pode satanizar o PT porque isso só faria o partido crescer. É mesmo? E por que o PT sataniza os tucanos, e, mesmo assim, Alckmin não arranca nas pesquisas? Chega uma hora em que prudência cheira a covardia; em que muito ouvir deixa entrever a suspeita de que não se tem nada a dizer.
Para arrematar: a cúpula da campanha faz um esforço tolo para se afastar de FHC, e o procedimento abre espaço para que certo jornalismo, em tom que parece investigativo, aponte que ex-auxiliares do ex-presidente estão elaborando o programa de Alckmin, como se houvesse nisso algo de estanho, de singular, de exótico, de revelador. Queriam o quê? Que estivessem dando sugestões ao PSOL? A abordagem, evidentemente, é ridícula, mas consoante com o ridículo maior do que, tentando ser uma estratégia, revela-se apenas medo de Lula.
O PT tem mais folha corrida do que história. Mas seus adversários só falam em ser propositivos. Ta bom: mas que, então, ao menos, tenham propostas.







