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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A ONG petista e o Supercoxinha, o maior prefeito da história de SP com 18 dias de mandato

A desonestidade intelectual da ONG Rede Nossa São Paulo é de tal ordem que a imprensa que dá curso às suas fantasias e trapaças metodológicas se torna corresponsável e copatrocinadora das vigarices. Não é difícil demonstrar o que digo. Ao contrário: é até muito fácil. Mais: os não petistas que tentaram se aproximar da turma […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 07h02 - Publicado em 18 jan 2013, 19h10

A desonestidade intelectual da ONG Rede Nossa São Paulo é de tal ordem que a imprensa que dá curso às suas fantasias e trapaças metodológicas se torna corresponsável e copatrocinadora das vigarices. Não é difícil demonstrar o que digo. Ao contrário: é até muito fácil. Mais: os não petistas que tentaram se aproximar da turma receberam o beijo da morte. Foi o caso do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que achou que poderia brincar de transparência com Oded Grajew, o que é uma contradição em termos. Quebrou a cara. Tudo bem! Agora ele é um aliado dos petistas — não sem antes ter sua gestão transformada em picadinho. Vamos lá.

No fim de 2007 e início de 2008, a Nossa São Paulo vendeu às rádios e aos jornais a mentira de que a Prefeitura de São Paulo investia mais nas áreas ricas da cidade do que nas pobres. Escrevi vários textos desmontando a farsa. Um deles está aqui. Os Gilbertos Dimensteins da vida falavam pelos cotovelos a respeito. Era mentira. Em que consistia o truque de Grajew? Analisava apenas o emprego da verba de Subprefeituras, destinada à zeladoria. Ocorre que a verba das Subprefeituras correspondia a apenas 4% do Orçamento da cidade. Era natural que bairros com mais aparelhos urbanos consumissem mais. Na conta, não entravam a construção de hospital, de AMAs, de CEUs, o asfaltamento de ruas, nada… Vale dizer: as contas da Nossa São Paulo ignoravam o que era, de fato, investimento.

Sim, a Prefeitura, então, forneceu àquele tipo de jornalismo que se praticava os dados corretos. Mas era só o “outro lado”. A turma babava vermelho nas rádios e depois usava os bons números como mera desculpa oficial.

Kassab quebrou a cara
Eleito em 2008, contra a vontade da Nossa São Paulo, que fez campanha para Marta Suplicy (e, em 2012, para Fernando Haddad), Gilberto Kassab fez uma grande, uma monumental besteira: aceitou um desafio da Nossa São Paulo e estabeleceu 223 metas de governo. Foi uma de suas perdições.

Vamos ver. De saída, é bom considerar que meta não é promessa. Ainda que fosse… Uma pauta com 223 itens traz coisas mais importantes e menos, certo? Uma meta não cumprida integralmente não quer dizer 0% de cumprimento. Kassab deve ter achado que estava ganhando, assim, um “aliado do lado de lá”. Errado! Estava apenas pondo a corda no pescoço.

Qual foi a conta que Grajew e seus bravos fizeram? Consideraram “metas cumpridas” apenas as obras 100% concluídas. Ao fim do mandato, a ONG considerou que ele realizou apenas 55,1% do prometido. Vejamos o caso das creches: como o objetivo era zerar o déficit, então descumprido está. Quando José Serra assumiu a Prefeitura, em 2005, havia 60 mil vagas. Em oito anos, criaram-se outras 150 mil — duas vezes e meia a mais. Dane-se! Não cumpriu!

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De Haddad…
E Fernando Haddad? Pôs as metas no papel? Ele não é doido nem nada. A Nossa São Paulo não cobrou isso dele. “Meta” e “cumprimento de promessa” são coisas que se exigem “da direita” (hoje, Kassab, como todos os políticos brasileiros, é de “centro-esquerda”…). Daqueles que se dizem de esquerda, devem-se cobrar bons sentimentos, bom coração e “engajamento no processo” (seja lá que zorra isso queira dizer)…

É o caso de um tal “Arco do Futuro”, uma miragem prometida pelo prefeito petista, que tem a ver, assim, com o… futuro, entenderam? Entre na Internet e tente saber o que isso significa de prático, de concreto, de coisas que podem ser cobradas. Impossível.

Mas Haddad já é tratado, antes de concluir o primeiro mês de governo, como um prefeito verdadeiramente revolucionário. Dia desses, li no jornal o que foi chamado pelo repórter de um “pacote bilionário” de investimentos, coisa que teria sido tentada antes por cinco administrações e nunca antes realizada.

Lá pelo quarto ou quinto parágrafo, éramos informados de que a pacote dependia ainda da obtenção de recursos, de desapropriações, de algumas licenças e coisa e tal… E daí? Importavam o título e lead. A submissão de amplos setores do jornalismo paulistano ao prefeito é constrangedora. Haddad não precisa de assessoria de imprensa. Ela até pode atrapalhar o serviço. O post anterior deixa claro que ele é considerado uma referência até para debater segurança pública.

A farsa da “herança maldita”
Haddad é o mais lulista das estrelas petistas. Como se viu, não se constrange em reunir 10 de seus secretários para receber uma aula do Apedeuta sobre governança. Também o seu aparelho de marketing mimetiza o de Lula.

Embora ele evite a crítica direta a Kassab, de quem é, agora, um aliado — e o ex-prefeito é que deve saber a dor e a delícia de ser destruído e reabilitado por petistas —, reparem que o Prefeito Coxinha atua como se, antes dele, nada houvesse na cidade; como se as gestões anteriores (com a provável exceção da de Marta) jamais tivessem feito qualquer investimento em saúde, educação, transportes, moradia, infraestrutura, desenvolvimento econômico… E esses setores da imprensa compram o seu discurso porque a, rigor, já estão ideologicamente vendidos.

É uma pena eu não saber desenhar. Ou criaria o “Supercoxinha”, um super-herói que tem sempre uma máxima acaciana e politicamente correta para descrever, mas jamais para resolver, os problemas difíceis da cidade.

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