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Reinaldo Azevedo

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A nova Dicta&Contradicta já está nas livrarias

Já está nas livrarias o terceiro número da revista Dicta&Contradicta (IFE, R$ 22,50). O lançamento acontece nesta quinta, na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, em São Paulo (avenida Nações Unidas, 477). Às 19h30, Eduardo Giannetti da Fonseca bate um papo com os presentes. Tema da conversa: “Há pensamento sério no Brasil?” Vale a pena […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 5 jun 2024, 22h36 - Publicado em 2 jun 2009, 16h52
Já está nas livrarias o terceiro número da revista Dicta&Contradicta (IFE, R$ 22,50). O lançamento acontece nesta quinta, na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, em São Paulo (avenida Nações Unidas, 477). Às 19h30, Eduardo Giannetti da Fonseca bate um papo com os presentes. Tema da conversa: “Há pensamento sério no Brasil?” Vale a pena conferir a sua resposta.

 

A revista, com 273 páginas (!), chega com uma pauta robusta, trazendo as contribuições, entre outros, de Fernando Henrique Cardoso — numa longa entrevista —, João Pereira Coutinho, Michael Pakaluk, Roger Scruton, Olavo de Carvalho e Nelson Ascher. Até este escriba e o nosso blog estão por lá. Já digo como.

 

FHC

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O ex-presidente concede uma entrevista em tom até certo ponto inédito a Guilherme Malzoni Rabello. “Inédito” por quê? Fala, como lhe é próprio, de política, sociologia, pensamento brasileiro etc. Mas também se expõe um tanto como indivíduo. Seleciono trechos:

(…)
O fato de ser uma figura pública também cria vários folclores ao seu redor. O senhor dá uma boa resposta à fama de vaidoso, por exemplo, no seu livro de memórias: “Pelo menos, tenho a pretensão de ser mais inteligente do que vaidoso”. Ou seja, também é possível usar esse folclore em seu favor. Além de manter o senso de humor… 
É, isso nunca perdi. Às vezes, custa caro: de vez em quando, sou muito irônico, e ironia na política é algo complicado porque as pessoas não entendem. Dá maus resultados. O intelectual normalmente é mais irônico, tem um subtexto que não se pode imaginar que todos percebam.
Amolaram-me a vida inteira com essa história de ser “muito vaidoso”. As pessoas pensam que eu tenho vaidade política, ou então pessoal, física, de roupa; mas essa, nunca tive. E também não tenho vaidade política, pois arrogante não sou. A única vaidade que tenho é intelectual: gosto de defender as coisas em que acredito. Se isso é vaidade, essa eu tenho, e desde criança; lembro-me de tremendos debates com primos meus na casa de meus pais. Eu gostava de ganhar essas discussões. Aliás, nunca vi alguém fazer uma crítica nesse sentido: aí, sim, ele poderia me apanhar, pois essa é a vaidade do intelectual, que gosta de se afirmar como tal. Sempre desconsiderei o resto, não tomo ao pé da letra essas afirmações; muitos também dizem que sou vaidoso como se isso fosse sinônimo de bobo. Paciência, problema de quem acha isso. 

(…)

No diálogo platônico Fédon, momentos antes de tomar a cicuta, Sócrates diz: “os que praticam verdadeiramente a Filosofia, de fato se preparam para morrer, sendo eles, de todos os homens, os que menos temor revelam diante da idéia da morte”. Como o senhor lida com isso? As idéias são suficientes para lidar com a morte?

Há sempre uma certa angústia, não é? Passei recentemente por um momento difícil, que foi a morte da Ruth. É curioso… Olhando agora, em retrospectiva, era óbvio que ela estava com um problema de saúde; no entanto, nunca aceitamos esse problema; tínhamos feito uma longa viagem à China, ela estava se preparando para ir a Europa outra vez, e não obstante era evidente que podia… Como qualquer um de nós, sem dúvida, mas no caso dela era mais visível, porque tinha aquele problema de saúde. Portanto, é curioso: mesmo sabendo de tudo, custamos a introjetar a possibilidade do fim.

Bem, isso vale para cada um de nós: você vive como se fosse eterno, sabendo que não é. Isso gera uma angústia filosófica e existencial. Não há solução: você vai morrer. E existe ainda um segundo problema: como você vai morrer. Eu tenho medo é do sofrimento; não tanto da morte, mas do sofrimento que leva a morte. Neste ponto até me consola o modo como a Ruth morreu: estava conversando com o Paulo Henrique [filho mais velho dos dois], disse “ai” e caiu. Mas isso é uma bênção. E não é o caso mais provável: para quem tem um coração bom, como é o meu, é pior… Sabe Deus… Ou seja, a questão é agônica e não tem solução. E que idéia resolve isso? Nenhuma! Você sabe muito bem que é finito, e no entanto vive como se fosse eterno.

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Por outro lado, pensando bem, eu que vou fazer setenta e oito anos posso dizer: “Olha, ser eterno deve ser uma chatice!”, porque as coisas são penosas também. Por enquanto, não tenho nenhuma restrição do ponto de vista físico. Mas imagino… Por exemplo, viajo muito e gosto de andar sozinho; não levo seguranças, às vezes apenas algum assessor; agora mesmo, fiquei sozinho em Yale uns três ou quatro dias. Mas começo a sentir um certo temor de estar sozinho que nunca tive antes. Porque você tem de ser realista: embora fisicamente não tenha nada, até agora, que me preocupe diretamente, o fantasma do tempo começa a pesar. Em todo o caso, não fico dando voltas a essa idéia, porque, senão, também não faço mais nada.

(…)

 

Este escriba e nosso blog

Nelson Ascher está presente duas vezes nesta edição: com uma antologia da moderna poesia húngara — tradução sua, é claro — e, vejam só, com um texto sobre a blogosfera e O País dos Petralhas, o livro que saiu, como sabem vocês, deste blog. Nelson foi muito generoso comigo. Querem saber? Não vou reclamar. Repito, então, o FHC da entrevista: “Gosto de defender as coisas em que acredito. Se isso é vaidade, essa eu tenho”. Segue um trecho do texto:

(…)

Nenhum blogue americano ou inglês se transformou em livro, pelo menos não num dos maiores best-sellers do país. Se um blogue como o de Reinaldo não é de todo impossível na anglosfera, não há nada nos EUA ou no Reino Unido que se assemelhe ao volume chamado O País dos Petralhas. Com o sucesso dessa publicação, o autor derrubou mais um preconceito local. No mundo inteiro ensaístas publicam em revistas e jornais – não só em veículos especializados – e, depois de algum tempo, põem entre duas capas sua produção. Essa é a norma internacional e, até há pouco tempo, era a brasileira também. A academia, porém, convenceu jornalistas incultos e impressionáveis de que um livro deve ser planejado e escrito por inteiro e então publicado. Não sei se o acima citado Balzac ou, digamos, quase cem anos depois, Joseph Conrad, que publicavam capítulo por capítulo de seus romances em revistas não raro populares, concordariam. Os acadêmicos persuadiram igualmente os incautos de que há uma contradição inconciliável entre, por um lado, durabilidade ou perenidade e, por outro, imediaticidade e legibilidade. Ensaios – a contrapelo do sentido original do termo – não merecem ser enfeixados em volume, salvo se, abstratos, especializados e escritos num jargão acessível a escassos iniciados, restringirem-se a esmiuçar detalhes de insignificâncias devidamente esquecidas. Se já é um sacrilégio, portanto, coletar resenhas estampadas numa revista semanal de grande circulação, seria inimaginável reunir as entradas, ou uma seleção das entradas de um diário eletrônico, mesmo que suas análises e insights fossem mais perspicazes, pertinentes, atuais, necessárias e bem escritas do que o grosso da produção universitária.

 

Leiam a revista. Há muito mais lá, como se anuncia no começo deste texto. Há, sobretudo, a disposição de pensar sem medo. E a coragem é uma virtude.

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