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Reinaldo Azevedo

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A loucura brasileira 3 – O que há de errado com a palavra “liberdade”?

As antigas celas do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo, foram reabertas em 2002 com o nome de Memorial da Liberdade. Na quinta-feira, a Secretaria de Estado da Cultura inaugurou a exposição fotográfica “Direito à Memória e à Verdade – a Ditadura no Brasil: 1964-1985″. A data de abertura coincide com […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h34 - Publicado em 4 Maio 2008, 06h51
As antigas celas do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo, foram reabertas em 2002 com o nome de Memorial da Liberdade. Na quinta-feira, a Secretaria de Estado da Cultura inaugurou a exposição fotográfica “Direito à Memória e à Verdade – a Ditadura no Brasil: 1964-1985″. A data de abertura coincide com os 40 anos da revolta estudantil de maio de 1968 e com os 60 anos da Declaração dos Direitos do Homem. Ok. E também se mudou o nome do lugar, que passou a se chamar “Memorial da Resistência”.

Há nisso tudo uma formidável soma de equívocos. Afinal, o que há de errado com a palavra “liberdade”? A trajetória é um pouco penosa. E é um tanto penoso relembrá-la também, já que, nas suas dependências, de fato, perpetrou-se o horror. Mas nem ele pode servir de desculpa para justificar a mistificação.

Que se faça uma exposição em homenagem aos 60 anos da Declaração dos Direitos do Homem, acho justo e honrado. Que os 40 anos da revolta estudantil de Maio de 1968 esteja na jogada, aí é duvidoso. Qual Maio? O dos estudantes franceses, que queriam uma ditadura maoísta? O dos “resistentes” brasileiros, que queriam uma ditadura comunista? A única revolta realmente democrática naquela ano foi a da então Tchecoslováquia, esmagada pela União Soviética, com o apoio praticamente unânime das esquerdas do mundo inteiro — ao menos das esquerdas realmente influentes.

E aí começam os problemas. Não deveria ter sido torturada uma só pessoa, no Dops ou em qualquer outro lugar do Brasil. Já escrevi dezenas de vezes — e vai mais uma — que acho justa a indenização a quem foi torturado ou às famílias daqueles que foram mortos depois de presos (excluo os que morreram de arma na mão, na guerrilha: foi uma escolha). Mas rejeito — e é um desserviço à história, à memória e ao presente do país — a transformação daqueles embates na luta entre o “bem” e o “mal”.

A palavra “liberdade” nos representa a todos e expressa o tempo em que vivemos: de liberdades políticas, de liberdades democráticas, de liberdades individuais — tudo aquilo que não queriam os principais atores daquele período: fossem os ditadores militares, fossem os militantes em favor de uma ditadura comunista. A democracia não “resistiu” no Brasil por absoluta falta de quem a defendesse. Memorial de “Resistência” a quê? À tirania? Memorial de Resistência de quê? Da liberdade?

O nome era bom e correto. Agora é uma mistificação. E com efeitos no presente, é bom que se diga. O “rouba, mas faz”, uma derivação da ditadura, cedeu lugar “ao rouba, mas é de esquerda”, uma derivação do que pretendem chamar de “resistência”. É como se o passado supostamente glorioso da esquerda brasileira lhe concedesse certas licenças para fazer lambanças que, claro, são condenáveis apenas quando praticadas pela “direita”. Quando quem mete a mão na sujeira é um “companheiro progressista”, fiquem certos de que é para o bem da humanidade.

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