Os novos números da volta por cima do mercado imobiliário corporativo
Futuro do setor parecia irremediavelmente perdido após a pandemia
Durante anos, uma das maiores verdades do mercado imobiliário corporativo foi a de que o home office havia decretado o fim dos grandes escritórios. Segundo essa teoria, a pandemia acelerou um movimento que parecia irreversível, com empresas devolvendo andares, reduzindo áreas e adotando modelos híbridos. Os números mais recentes mostram que essa previsão foi, no mínimo, precipitada.
O mercado vive um novo ciclo de expansão da ocupação corporativa e o dado mais interessante não é apenas o aumento da demanda como também o perfil dessa procura por grandes lajes corporativas, que voltaram ao radar das empresas. De acordo com o índice FipeZap Comercial, os aluguéis desse nicho de imóveis avançaram 11,5% nos últimos 12 meses, acima da inflação. O Rio de Janeiro liderou a valorização, com alta de 20%, enquanto São Paulo manteve o metro quadrado de imóvel comercial mais caro do país.
Depois de um período de experimentação do trabalho remoto, muitas empresas parecem ter encontrado um novo equilíbrio, mesclando alguns dias de home office, mas com mais presença nos escritórios, que deixaram de ser apenas um local para cumprir jornada e voltaram a desempenhar um papel central na cultura organizacional, principalmente na integração entre equipes.
Outro fator que ajuda a explicar esse aquecimento no mercado imobiliário comercial é a busca por edifícios mais modernos e eficientes. Em vez de simplesmente ocupar mais metros quadrados, muitas empresas estão migrando para empreendimentos com melhor infraestrutura, certificações ambientais, tecnologia e localização privilegiada.
Enquanto o Brasil assiste a uma retomada consistente do mercado corporativo, os Estados Unidos vivem uma realidade bastante diferente. Em diversas cidades americanas, especialmente aquelas que adotaram de forma mais intensa o trabalho remoto, os índices de vacância permanecem elevados. Chicago, por exemplo, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos desse novo cenário. Na cidade, cresce o número de projetos que transformam antigos edifícios de escritórios em empreendimentos residenciais. Os incorporadores e investidores enxergam maior potencial econômico na conversão dos imóveis para moradia numa tentativa de adaptar o estoque existente a uma demanda que mudou profundamente após a pandemia.
O contraste entre Brasil e Estados Unidos evidencia como o mercado imobiliário responde a dinâmicas econômicas e culturais distintas. Enquanto aqui as empresas voltam a disputar grandes escritórios em edifícios de alto padrão, parte das cidades americanas trabalha justamente para diminuir a quantidade de espaços corporativos disponíveis. Isso não significa que um mercado esteja certo e o outro errado, significa apenas que ambos estão se adaptando às necessidades de seus ocupantes.
No caso brasileiro, tudo indica que o escritório não apenas sobreviveu às previsões mais pessimistas como voltou a ser protagonista e, curiosamente, em uma versão ainda mais ambiciosa, apostando em espaços amplos e com melhor infraestrutura. Afinal, se houve uma lição deixada pelos últimos anos pós pandêmico, é a de que os espaços físicos continuam sendo parte fundamental da estratégia das empresas, desde que entreguem valor para quem trabalha neles.






