‘Ouvindo mais a gente erra menos’, diz Motta em novo recado ao governo
Presidente da Câmara voltou a falar sobre a derrubada do IOF em jantar oferecido por João Doria: ''Não queremos arroubos e nem criar instabilidade'
Convidado para um jantar oferecido pelo ex-governador João Doria, nesta segunda, Hugo Motta adotou um tom mais conciliador ao falar dos desafios do país e o momento de atrito nas relações entre os poderes nessa discussão do aumento do IOF.
O presidente da Câmara começou o dia mandando um duro recado ao Planalto e ao presidente Lula, por estimularem o que ele classificou de “polarização social” entre ricos e pobres. “Quem alimenta o ‘nós contra eles’ acaba governando contra todos”, disse Motta.
No jantar de Doria, o chefe da Câmara voltou a falar da polarização, mas disse atuar no Legislativo com “espírito colaborativo” para fazer o que é preciso pelo país. A derrubada do decreto de Lula, segundo Motta, foi obra de “um Parlamento aguerrido e pronto para fazer o enfrentamento a favor do país”.
“É da democracia discordar. A polarização existe, mas precisamos descobrir o que podemos fazer pelo país. Nós temos esse espírito colaborativo, essa vontade não está alterada. A votação da última semana foi um retrato de um Parlamento muito aguerrido, pronto pra fazer um enfrentamento a favor do país”, disse Motta.
O chefe da Câmara também mandou um recado de pacificação ao Executivo, ao dizer que não deseja “criar instabilidade”. Lula, como se sabe, quer acionar o STF nesta terça para tentar anular a decisão do Legislativo e manter o aumento de imposto defendido pelo governo.
“Não queremos arroubos e nem criar instabilidade. Momentos como esse são importantes. Quando eu assumi essa função eu sabia o tamanho da responsabilidade. É uma posição complexa e desafiadora, mesmo em momentos de divergência buscamos oportunidade de impulsionar o Brasil através da política. Esse diálogo se dá também com o setor produtivo”, disse Motta.
O deputado paraibano também deixou claro, no jantar, que o Congresso nunca esteve tão unido e que há o desejo de replicar essa “sinergia” com o Executivo e o Judiciário em nome da harmonia entre os poderes. Motta disse que é preciso “ampliar o diálogo cada vez mais” e que “ouvindo mais a gente erra menos”.
O recado foi ao governo, que foi alertado sobre antes da derrota no caso do IOF e escolheu manter o decreto de Lula a buscar outras soluções. “Por mais que haja essa polarização temos um país que precisa dar certo. Ampliar esse diálogo cada vez mais. Ouvindo mais a gente erra menos”, disse Motta.
Para o chefe da Câmara, será um erro o governo tentar usar o Supremo para atropelar o Legislativo. Daí a ponderação por diálogo e escuta. “A câmara tem uma responsabilidade muito grande, representando o povo brasileiro nessa pluralidade”, disse Motta.
Anfitrião, o ex-governador João Doria exaltou a presença de Motta e dos mais de 50 empresários e lideranças políticas no encontro. Ele lembrou que a política “exige tolerância e espírito público”.
“A política é provocativa, exige tolerância e espirito público, além de paciência enorme. A tolerância não é fácil, exige equilíbrio, capacidade para perdoar e entender a vida pública como ela deve ser. Ao longo dessa semana houve um movimento crucial para a vida do país, liderado pelo Hugo Motta. Ele fez a defesa de um princípio que atende todo o Brasil. Ele se colocou e convenceu seus colegas da Câmara e do Senado de que a decisão tomada não era contra o presidente Lula, mas sim uma decisão a favor do Brasil. Eu mandei uma mensagem pra ele essa semana e agora reafirmo: Hugo, você é o herói do Brasil”, disse Doria.





