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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O dia em que Bolsonaro prometeu a Olavo desconstruir o Brasil

No dia 17 de março, país tinha um Ministério da Saúde organizado e uma morte na pandemia; nesta quarta, bateu a marca dos 25.000 mortos

Por Robson Bonin Atualizado em 28 Maio 2020, 07h48 - Publicado em 28 Maio 2020, 07h25

Recentemente, uma frase de Jair Bolsonaro dita ao seu guru, o astrólogo Olavo de Carvalho, nos Estados Unidos, completou dois meses. “Prezado Olavo de Carvalho, o Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo”, disse Bolsonaro em um jantar em Miami. “Nós temos que desconstruir muita coisa, desfazer muita coisa, para depois começar a fazer”, complementou o presidente.

A fala, mais uma dessas tiradas do presidente para denunciar o suposto avanço do socialismo e do comunismo no Brasil, foi seguida à risca por Bolsonaro. Na volta ao Brasil, depois da fatídica viagem em que dezenas de auxiliares presidenciais pegariam coronavírus, Bolsonaro dedicou-se diariamente a desconstruir.

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Primeiro, desmontou o Ministério da Saúde, então liderado por Luiz Henrique Mandetta, enciumado que estava com o protagonismo do ministro na linha de frente do combate à pandemia.

Depois, tratou de desconstruir a estratégia de isolamento social e o trabalho dos governadores para convencer a população de que o coronavírus não era uma gripezinha.

Bolsonaro desconstruiu também as iniciativas que surgiram dentro do governo para mostrar alguma sensibilidade diante das mortes na pandemia. Demitiu, por exemplo, um diretor de um órgão por divulgar uma nota de pesar pela morte de um colega.

Desconstruiu a gestão do oncologista que ele mesmo colocou no lugar de Mandetta na Saúde para servir de bode expiatório ao fracasso do governo em proteger os brasileiros no SUS.

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O presidente desconstruiu o próprio discurso eleitoral de ética na política e contra o toma lá dá cá ao partilhar gostosamente o banquete com velhos conhecidos da Lava-Jato no centrão do Congresso.

Depois de levar para o governo a atriz Regina Duarte, passou a desconstruir as tentativas da secretária em comandar a Cultura. Ele desconstruiu o setor cultural ao deixar artistas, trabalhadores e empresas sem socorro na crise.

Bolsonaro desconstruiu a gestão de Sergio Moro na Justiça, desmontou a gestão de Maurício Valeixo na Polícia Federal e mandou botar um dos seus, o segurança de campanha Alexandre Ramagem, no lugar. Só não avançou na desconstrução, porque foi parado pelo STF.

Bolsonaro desconstruiu a tentativa de Paulo Guedes de impor algum sacrifício aos estados, em troca do socorro federal na crise. Desconstruiu a Educação ao deixar no comando da área mais importante do país um ministro que acha tempo para se barbear em transmissões ao vivo na internet e acredita em teorias golpistas como a defesa da prisão dos “vagabundos do STF”.

Em 17 de março, quando Bolsonaro prometeu a Olavo, sua inspiração, voltar ao Brasil para “desconstruir muita coisa”, um brasileiro havia morrido por coronavírus e 349 casos haviam sido confirmados. Nesta quarta, o país passara das 25.000 mortes, sendo 1.086 delas registradas nas últimas 24 horas.

A desconstrução é o programa mais ativo e eficiente do governo.

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