Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Lula, o chopinho, a chuleta e o Corinthians

A poucas horas de deixar o poder, Lula não perde a oportunidade de conceder suas últimas entrevistas como presidente da República. Aproveitou hoje que estava em Fortaleza para falar à jornalista Patrícia Calderon, da TV Cidade, filiada da Record no Ceará. Lula disse que entrega o país a Dilma Rousseff numa “situação extraordinária”, mas que […]

Por Da Redação Atualizado em 31 jul 2020, 13h15 - Publicado em 29 dez 2010, 17h26

A poucas horas de deixar o poder, Lula não perde a oportunidade de conceder suas últimas entrevistas como presidente da República. Aproveitou hoje que estava em Fortaleza para falar à jornalista Patrícia Calderon, da TV Cidade, filiada da Record no Ceará.

Lula disse que entrega o país a Dilma Rousseff numa “situação extraordinária”, mas que a popularidade de Dilma será resultado do comportamento de sua sucessora. Lula anunciou ainda que pretende voltar às arquibancadas dos campos de futebol já em janeiro para assistir ao jogo entre São Bernardo e Corinthians. A entrevista irá ao ar amanhã, mas seguem abaixo seus principais trechos:

* Dilma terá a mesma popularidade?

”Não sei. Esse negócio de popularidade depende muito do jeito de ser e se comportar de cada um. Eu sei que ela está qualificada, conhece o Brasil, conhece os programas, ela está com um carro a 120 quilômetros por hora. Ela pegou o país numa situação extraordinária.”

* Qual o destino do senhor?

Continua após a publicidade

“A verdade é que a gente nunca está preparado, principalmente para sair. Vou sentir falta das pessoas. Acho que agora em diante o único beneficio de tudo isso será a minha tão sonhada liberdade. Vou poder chegar na mesa de um bar, encontrar os amigos, tomar meu chopinho e comer a famosa chuleta do Gijo. Também não vou precisar mais me preocupar com as câmeras.”

“Vou continuar andando o Brasil. Quero ajudar. Não quero dar opinião, não quero palpitar no governo Dilma. Quero apoiar, ela vai ter o direito sim de errar e acertar, mas vou estar ao lado dela. A Dilma terá o direito de fazer o que bem entender.”

* E o Corinthians?

“Quero assistir  agora em janeiro ao jogo do São Bernardo e o Timão. Eu quero participar um pouco mais do Corinthians, quero ir ao estádio, ficar na arquibancada com o povão. Quero xingar, suar, batucar. Quero ter uma vida normal. Desde os meus trinta anos de vida nunca mais tive uma vida normal. Vou viver um pouco mais a minha vida daqui pra frente.”

* O senhor tem seis irmãos vivos que moram de forma simples. Já fez algo por eles?

”Eu não fui eleito pra cuidar dos meus irmãos. Como presidente, precisava ajudar 190 milhões. Agora sim, que não sou mais presidente, vou ajudar a minha família. Meus irmãos nunca me pediram dez centavos de ajuda. São motivo de orgulho pra mim. Quando a PF invadiu a casa do meu irmão, eu estava na Índia. Soube com doze horas de antecedência que isso aconteceria. Não pude fazer nada. Afinal de contas, quem soube antes foi o presidente e não o irmão do Vavá. Eu não podia avisar. Pensei o seguinte: ‘vou deixar acontecer, depois a gente vê o que faz’. Eu achei que houve exagero. Aprendi uma coisa com isso: não adianta guardar raiva, rancor, ficar com ódio.”

Continua após a publicidade

Publicidade