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Justiça suspende inquérito contra bolsonarista pego com dinheiro em mala

Ao deferir habeas corpus em favor do delegado Everaldo Eguchi, que disputou a Prefeitura de Belém em 2020, desembargadora sequer mencionou a apreensão

Por Gustavo Maia 10 nov 2021, 17h53

Quase quatro meses depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação para apurar o suposto vazamento de informações por parte de um delegado da corporação no Pará, o principal alvo da ação obteve na Justiça a suspensão do inquérito e a recondução ao cargo.

Trata-se de Everaldo Jorge Martins Eguchi, conhecido como Delegado Federal Eguchi, bolsonarista que disputou a prefeitura de Belém no ano passado pelo Patriota e ficou em segundo lugar na eleição municipal.

Durante a operação, os investigadores encontaram uma mala com pacotes de dinheiro que pertenceria ao delegado — com dezenas notas de 50 e 100 reais, além de cédulas de euro e dólar.

Mas a a apreensão da grana de origem duvidosa sequer consta na decisão liminar publicada nesta terça-feira pela desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do TRF da 1ª Região.

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Na ocasião, a PF informou que Eguchi era investigado por suposta violação de sigilo funcional durante o desencadeamento Operação Migrador, em 2018, que apurava a atuação de organização criminosa dedicada à exploração ilegal de minério de manganês. Seis empresários que teriam tido acesso indevido às informações também foram alvo da operação.

Na decisão desta terça, a magistrada justificou o trancamento do inquérito policial ao afirmar que, da análise dos autos, “é possível identificar, ao menos no atual cenário, questões políticas e pessoais como fatores determinantes para a abertura da investigação que se baseou em denúncia anônima contra o paciente”.

Ela relatou que a defesa de Eguchi apontou que o agente que recebeu a denúncia anônima “é flagrantemente contra os preceitos defendidos por Paciente enquanto político, eis que o mesmo é conservador e bolsonarista, enquanto que o agente que recebeu a denúncia é o que podemos chamar de uma figura da ‘Esquerda’, conforme consta em suas redes sociais e comentários em páginas online de famoso jornal brasileiro e blog”.

A desembargadora afirmou ainda que os indícios apontados nos relatórios de inteligências são frágeis, “uma vez que a conexão online na rede social Facebook como ‘amigo’ em um universo de usuários virtuais não permite confirmar que de fato as pessoas são próximas ou ao menos se conhecem”.

Na conclusão, ela disse não ser possível afirmar que o suposto vazamento objeto da operação tenha partido do delegado e que, uma vez que não há conclusão sobre eventual dolo do paciente, o caso deve ser analisado com maior profundidade no instante do julgamento definitivo. Por isso, concedeu a liminar.

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