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“Foi uma pena”, diz Lula após Copom manter taxa de juros em 10,5%

O petista disse que nunca se mete nas decisões do BC, mas que antes tinha poder de demitir o chefe da autarquia, como FHC e outros presidentes fizeram

Por Gustavo Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 20 jun 2024, 13h25 - Publicado em 20 jun 2024, 13h09

O presidente Lula concedeu há pouco uma entrevista — a segunda na semana — e foi questionado sobre a decisão unânime do Copom de manter a taxa de juros em 10,5%, depois que ele criticou o comportamento do Banco Central e o chefe da autarquia, Roberto Campos Neto, na terça-feira.

Agora de forma menos enfática, o petista renovou os ataques ao economista indicado ao cargo por Jair Bolsonaro, questionando sua autonomia, e disse que a resolução do Comitê de Política Monetária nesta quarta “foi uma pena”, porque “quem está perdendo com isso é o Brasil”.

Ele também defendeu gastos que resultam em benefício coletivo e na melhoria da qualidade de vida da população como “um investimento extraordinário”. “Nós estamos investindo no povo brasileiro. A decisão do Banco Central foi investir no sistema financeiro, foi investir nos especuladores que ganham dinheiro com os juros, e nós queremos investir na produção”, declarou Lula à Rádio Verdinha, de Fortaleza, onde ele participa de cerimônias nesta quinta.

“Eu fui presidente oito anos. O presidente da República nunca se mete nas decisões do Copom ou do Banco Central. O [Henrique] Meirelles tinha autonomia tanto quanto tem esse rapaz de hoje. Só que o Meirelles era uma pessoa, era um cara que eu tinha o poder de tirar, como o Fernando Henrique Cardoso tirou tantos, como outros presidentes tiraram tantos. Aí resolveram entender que era importante colocar alguém… que tivesse um Banco Central independente, que tivesse autonomia. Ora, autonomia de quem? Autonomia de quem? Autonomia para servir quem? Autonomia para atender quem?”, afirmou.

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Na sequência, o presidente comentou que participou nos últimos dias de uma reunião sobre o Orçamento na qual se discutiu a possibilidade de ter um déficit de 30 a 40 bilhões de reais e, quando olhou o “outro lado da folha”, viu que o governo pagou 790 bilhões de reais só de juros no ano passado.

“Só de desoneração foram 536 bilhões que a gente deixou de receber. E toda vez que a gente fica discutindo corte, a imprensa fala muito, a imprensa fala, a imprensa fala, ‘ah, vai aumentar o salário mínimo, é gasto, vai aumentar o professor, é gasto, vai aumentar…”. E por que não transforma em gasto a taxa de juros que nós pagamos?”, questionou.

Ele complementou apontando que os grandes investimentos de crédito no Brasil são feitos por bancos públicos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNB e BNDES, porque “os bancos privados preferem, ao invés de fazer crédito, ganhar dinheiro com a alta taxa de juros de 10,5%”.

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“Então foi uma pena que o Copom manteve, porque quem está perdendo com isso é o Brasil, é o povo brasileiro, porque quanto mais a gente pagar de juros, menos dinheiro a gente tem para investir aqui dentro. E isso tem que ser tratado como gasto”, declarou o presidente.

Críticas ao “mercado”

Lula então comentou que não vê o mercado falar dos moradores de rua, dos catadores de papel, dos desempregados e das pessoas que necessitam do Estado. “Quem é que necessita do Estado? É o povo trabalhador, é a classe média, que é quem paga imposto nesse país”, disse.

“Esses dias você viu que eu fiquei meio nervoso porque nós pagamos 45 bilhões de dividendos para os acionistas minoritários da Petrobras, 45 bilhões, e não pagam um centavo de imposto de renda. E você, Jéssica [entrevistadora], depois de trabalhar o mês inteiro no microfone da [Rádio] Verdinha, você vai receber o seu salário e vem descontado 27,5% de imposto de renda. O trabalhador ganha uma miséria de participação no lucro no final do ano e tem que pagar imposto de renda, e nesse país quem ganha dividendo não paga imposto de renda”, apontou o presidente.

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“Então é preciso que a gente tenha um pouco de sensibilidade para as pessoas perceberem que o que nós estamos tentando fazer nesse instante histórico do país é elevar um pouco o padrão de vida das pessoas mais humildades, para que ele se transforme num padrão de consumo de classe média, que as pessoas possam morar numa casinha melhor, possam ter uma escola melhor, possam no final de semana levar sua família num restaurante, comer alguma coisa. É só isso que a gente quer. Agora isso é muito difícil, porque os que estão em cima não querem que os que estão embaixo subam um degrau na escada”, concluiu.

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