Estado policial? Discurso de Ciro sugere cumplicidade da Justiça
Juiz que autorizou as buscas contra o pedetista deixou claro ter encontrado 'elementos materiais confirmatórios' de crimes na investigação
Alvo da Polícia Federal por suposto recebimento de propina nas obras do Castelão, Ciro Gomes seguiu o caminho mais fácil nesta quarta ao falar do assunto. Sem se aprofundar nas relações dele e do irmão Cid Gomes com empresários no governo do Ceará, o pedetista saiu atirando em Jair Bolsonaro, no aparelhamento da Polícia Federal e no suposto “Estado policial” criado para perseguir os inimigos. “Ninguém vai calar a minha voz”, disse Ciro.
O pedetista tem o direito de reclamar da ação da PF, mas o discurso de que Bolsonaro estaria por trás da medida precisa ser olhado com cuidado. Para que Bolsonaro tenha mandado capangas da PF sujar a imagem do pedetista, é preciso que o juiz Danilo Dias Vasconcelos de Almeida participe da trama. Afinal, é dele a ordem judicial que autorizou as buscas e as quebras de sigilo contra Ciro e mais 13 investigados.
Bolsonaro de fato assedia a PF desde que Sergio Moro deixou o cargo de Ministro da Justiça. A frequente troca de delegados na corporação só reforça as suspeitas da oposição, de que o presidente seja o verdadeiro diretor-geral da instituição. Nada, no discurso de Ciro, no entanto, afasta a constatação do juiz Almeida:
“Embora, nesta fase processual, não seja o momento de apontar responsabilidade definitiva, o fato é que a autoridade policial logrou reunir elementos indiciários que conferem verossimilhança à colaboração premiada… Foram reunidos elementos materiais confirmatórios”, diz o juiz.
Para o discurso de Ciro parar de pé é preciso que ele descubra que Bolsonaro agora manda no juiz do judiciário cearense. E que mostre, claro, que os delegados da Polícia Federal, assim como o juiz, decidiram arruinar as próprias carreiras em nome de um projeto político.







