Documentos levados por CEO da Americanas a CPI mostram raio X da fraude
Antiga diretoria atuou com bancos e auditoras para esconder soma bilionária em operações de crédito dos balanços
E-mails e mensagens de WhatsApp exibidos na CPI da Americanas pelo atual CEO da empresa, Leonardo Coelho Pereira, mostram um raio X da atuação de executivos para fraudar documentos e omitir do mercado um rombo bilionário, cultivado à margem dos balanços.
O conluio envolveu bancos credores da varejista e as empresas de auditoria PwC e KPMG, que mudaram relatórios para ajudar a Americanas a esconder de investidores a crescente dívida com uma operação de crédito conhecida como risco sacado.
Em 19 de setembro de 2017, o então diretor financeiro da B2W, Fábio Abrate, escreveu para uma série de executivos do grupo da Americanas que o Itaú havia aprovado uma redação suavizada da carta de circularização entregue a auditores com os débitos da empresa.
No trecho em questão, o banco aceitou tocar a palavra “sacados” por “emitidos” ao falar de recebíveis que adquiriu de fornecedores do grupo da Americanas – dificultando, assim, a compreensão de que se tratavam de operações de risco sacado.
“Parabéns a todos os envolvidos”, completou Abrate no e-mail.
ATUALIZAÇÃO, 19h50: O Itaú enviou ao Radar o seguinte registro sobre os fatos revelados pelo CEO da Americanas na CPI: “O Itaú Unibanco esclarece que as cartas de circularização, que são instrumento de apoio aos trabalhos de auditoria, até 2017 traziam o saldo integral das operações de antecipação contratadas por fornecedores, denominadas “risco sacado”.
A partir de 2018, após discussões de mercado, a carta de circularização foi restringida para refletir apenas as operações contratadas diretamente pela Americanas, com a exclusão do saldo das operações de antecipação contratadas por fornecedores.
Por outro lado, como medida de transparência, foi adicionado o parágrafo que alertava para a realização de operações de antecipação de recebíveis emitidos contra a Americanas, permitindo que as empresas de auditoria conhecessem sua existência e questionassem sobre seu saldo, caso necessário.
O Itaú reforça que a elaboração das demonstrações financeiras é responsabilidade exclusiva da companhia e de seus administradores. É leviano atribuir a terceiros a responsabilidade pela fraude, confessada pela companhia ao mercado no dia de hoje.”
Antes disso, em 10 de julho de 2017, o então diretor de lojas físicas, logística e tecnologia da companhia, Timotheo Barros, havia perguntado a Abrates sobre o conteúdo das cartas de circularização dos credores da Americanas.
“Boa tarde! Fabio como estamos com os bancos para retirar das cartas a info das operacoes com fornecedores. Vida/Morte para nós”, escreveu Barros pelo WhatsApp.
Os documentos exibidos por Pereira a partir do banco de dados da Americanas também revelaram que a antiga diretoria gerou versões diferentes de balanços financeiros da empresa para divulgação pública e para consumo interno, com contabilidade mais fidedigna à existência de um rombo, mas mantida em segredo.







