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Debate deixou o sonho do primeiro turno mais distante de Lula

Petista foi ao confronto na Globo de salto alto e acabou sendo o grande prejudicado da noite

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 30 set 2022, 12h30 - Publicado em 30 set 2022, 10h08

Com poucos minutos de debate, nesta quinta, a senadora Soraya Thronicke levou Padre Kelmon até as portas do inferno. Depois de chamá-lo de cabo eleitoral de Jair Bolsonaro, usou a figura folclórica do PTB para bater no desprezo do presidente pela vida dos brasileiros durante a pandemia. Sobre o apoio ao presidente, ela disse ao padre: “O senhor não tem medo de ir pro inferno, não?”

Foi nesse clima de purgatório de O Auto da Compadecida, a famosa obra de Ariano Suassuna, que transcorreu todo o debate. O “padre de festa junina”, franco atirador, conseguiu tirar Lula do sério, desgastando o petista com ataques ao passado de corrupção de seus governos. Até a morte de Celso Daniel, nunca esclarecida, veio ao púlpito.

Se não tivesse faltado ao debate de VEJA, em parceria com outros veículos de comunicação no dia 24, Lula estaria mais preparado para não cair em armadilhas tão claras. Vivendo a ilusão da vitória no primeiro turno, foi ao confronto da Globo de salto alto e acabou sendo o grande prejudicado da noite.

“‘O senhor nem deveria estar aqui como candidato. O senhor é cínico, o senhor mente, o senhor matou…”, disse Kelmon. Lula rebateu já fora de si: “O senhor é irresponsável. O senhor está fantasiado de padre.” A coisa saiu do controle a ponto de Bonner ter ameaçado chamar os comerciais.

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É ponto pacífico que todo líder de pesquisa costuma apanhar mais dos adversários em eventos desse tipo. Lula, no entanto, pagou o preço de tentar se eleger presidente sem prestar contas da roubalheira dos seus governos. Sem discurso para rebater as acusações do passado petista de corrupção, Lula ajudou Bolsonaro a conquistar alguns indecisos.

O confronto entre Lula e Bolsonaro, ironicamente, não ocorreu — o presidente teve a chance de perguntar ao petista, mas fugiu do confronto direto. Se os dois líderes da disputa não fizeram perguntas entre si, o embate foi reservado aos direitos de resposta. O debate virou briga de bar, monopolizando as atenções entre os dois principais postulantes ao Planalto.

Se as pesquisas estiverem corretas, a lembrança da roubalheira dos governos do PT — associada ao despreparo de Lula para tratar do assunto — tira votos valiosos do petista, o que mostra um dos principais efeitos do debate desta quinta: a vitória em primeiro turno, algo nunca realizado por Lula, ficou ainda mais distante.

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Rarefeito também ficou o sonho presidencial de Ciro Gomes, depois de sua atuação nervosa e vacilante no confronto com Lula. Por uma dessas coincidências do destino, o pedetista ficou sentado ao lado de Bolsonaro, Padre Kelmon e Felipe D’Avila enquanto Lula, Simone Tebet e Soraya se posicionaram no outro extremo do estúdio.

A posição de Gomes não poderia ser mais infeliz: o pedetista tentou bater em Lula de todas as formas. Quando enfrentou Bolsonaro, chegou a tentar ajudar o presidente, que assumiu para ele — sem se dar conta — uma crítica que o pedetista havia direcionado ao petista sobre queda do PIB.

Simone Tebet repetiu a boa atuação dos outros debates. Buscou falar de propostas, mostrou-se segura, falando diretamente ao eleitor já cansado da barulhenta briga da polarização. Ironicamente, aliás, era quando Simone usava a palavra que o programa voltava a discutir objetivamente propostas. Fora disso, o falatório voltava ao clima de briga de bar.

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O debate não mudou o cenário de polarização da eleição. Como bom entretenimento, valeu, mas não produziu um fato novo com impacto suficiente para mudar o destino retratado nas pesquisas. Lula perdeu votos nesta quinta. Resta saber quem ganhou.

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