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Centrão no STF e no governo… Sergio Moro deve estar pensativo

Bolsonaro prometeu o mundo perfeito de combate à corrupção ao ex-juiz; dois anos depois, os investigados da Lava-Jato sorriram por último

Por Robson Bonin Atualizado em 2 out 2020, 08h17 - Publicado em 2 out 2020, 08h10

Uns poucos admiradores do ex-juiz Sergio Moro no Planalto — eles existem, ainda que anônimos –, não deixaram de notar a ironia destes dias para a história da Lava-Jato e do juiz que deixou a operação para se dedicar a um projeto político supostamente de mudança do sistema.

No dia 16 de novembro, Moro completará dois anos fora da magistratura. Essa declaração de Bolsonaro completará dois anos antes, em 29 desse mês.

“Pretendo convidá-lo (Moro) para o Ministério da Justiça ou – seria no futuro – abrindo uma vaga no Supremo Tribunal Federal, na qual melhor ele achasse que poderia trabalhar para o Brasil”, disse Bolsonaro ao… Jornal Nacional.

Eram outros tempos mesmo. Bolsonaro falava com a Globo, jurava ser nova política, ser a favor da Lava-Jato e contra corruptos do centrão. Prometia levar a Lava-Jato ao STF com direito a uma parada no centro de controle do sistema, o Ministério da Justiça, de onde Moro teria carta branca para nomear o diretor da Polícia Federal e ditar a política do governo de reformulação de leis para acabar com a impunidade do colarinho branco no país.

Moro deve estar pensativo nesses dias. Afinal, como imaginar que largou tudo por um projeto político que dois anos depois abraçaria investigados nos esquemas da Lava-Jato, com direito a representante no Supremo e tudo?

A mistura de juiz com política, aliás, não foi boa para quem se aventurou. Moro fora do jogo na magistratura, Wilson Witzel praticamente cassado no Rio, Selma Arruda já apeada do mandato no Senado pelo Mato Grosso.

Em defesa do desembargador Kássio Nunes, de currículo destacado — apesar das amizades –, diga-se que outros presidentes já sonharam em ter uma toga para chamar de sua no STF e quebraram a cara. Depois que o manto preto cobre os ombros, é outra história.

 

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