Vale, por meio da Case, puxa debate sobre carbono
Fórum em São Paulo discute a regulamentação do mercado brasileiro de emissões; país pode gerar 370 milhões de toneladas de créditos até 2030
A Vale quer assumir papel mais ativo na construção do mercado brasileiro de carbono. Na próxima quarta-feira, 1º de julho, a mineradora promove em São Paulo, por meio da iniciativa CASE, um fórum com representantes do governo e do setor privado para discutir os próximos passos da regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o SBCE.
O encontro ocorre em um momento estratégico. O Brasil já aprovou a lei que institui o mercado regulado de carbono, mas ainda precisa transformar a estrutura legal em regras operacionais capazes de dar segurança a empresas, investidores e compradores de créditos. A aposta é que o país consiga destravar uma oportunidade bilionária: segundo estimativas do setor, o Brasil tem potencial para gerar cerca de 370 milhões de toneladas de créditos de carbono até 2030.
Para a Vale, o tema deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a integrar a discussão sobre competitividade industrial. A mineração está entre os setores que terão de acelerar sua descarbonização nos próximos anos, tanto por pressão regulatória quanto por exigência de clientes e investidores globais.
“O Brasil reúne condições únicas para se destacar no mercado global de carbono, com sua biodiversidade e o crescente interesse por soluções baseadas na natureza e renováveis”, afirma Camilla Lott, diretora de Sustentabilidade Corporativa da Vale. Segundo ela, “setores industriais estratégicos como a mineração também têm papel relevante nesse processo, tanto por meio da redução de emissões em suas operações quanto pelo desenvolvimento de tecnologias e projetos voltados à descarbonização e à geração de créditos de carbono”.
O evento é realizado em parceria com a International Emissions Trading Association, entidade global dedicada ao desenvolvimento de mercados de carbono, e conta com apoio da B3. A CASE reúne, além da Vale, Bradesco, Itaúsa, Itaú Unibanco, Marcopolo, Natura e Nestlé, em uma articulação empresarial voltada a fortalecer a presença do setor privado brasileiro na agenda climática internacional.
A movimentação também mira um mercado em expansão. Em 2024, o mercado global de carbono movimentou US$ 102 bilhões. Para o Brasil, a diferença entre capturar uma fatia relevante desse volume ou ficar à margem dependerá da velocidade e da qualidade da regulamentação. Para a Vale, entrar cedo nessa conversa é uma forma de tentar influenciar as regras de um mercado que pode afetar diretamente o custo, a reputação e a competitividade de grandes emissores industriais.







