Tereza de vice pressionaria PP e União a financiar maior rival pela Câmara
União Progressista prioriza ampliar bancada e resiste a retirar recursos das campanhas parlamentares para financiar a chapa presidencial do PL
A disposição de Tereza Cristina para ocupar a vice de Flávio Bolsonaro enfrentou uma dupla resistência na União Progressista. De um lado, há parlamentares de PP e União Brasil que não desejam associar seus mandatos e palanques estaduais ao projeto político do PL. De outro, paira sobre a decisão de se coligar a Flávio uma questão econômica: embora a indicação da senadora não obrigue legalmente a federação a financiar a campanha presidencial, a entrada formal na chapa criaria uma cobrança política por um aporte relevante — retirado justamente dos recursos destinados à eleição de deputados, senadores e governadores.
A União Progressista terá R$ 943,3 milhões do fundo eleitoral, mas desenhou sua distribuição para ampliar as bancadas no Congresso. O União Brasil reservou 80% de seus R$ 526,2 milhões para as campanhas proporcionais, cerca de R$ 421 milhões. O PP, por sua vez, não separou nenhum valor específico para presidente ou vice e prometeu até R$ 3,176 milhões para cada deputado federal que busca a reeleição.
Para acomodar a candidatura de Tereza, portanto, a direção da federação teria de rever uma divisão já acertada com seus candidatos. A neutralidade preserva o caixa para as disputas estaduais e evita uma negociação potencialmente explosiva sobre quanto cada partido perderia para bancar Flávio.
Dois senadores ouvidos pelo Radar Econômico resumiram a lógica interna: diante da disputa para ampliar as bancadas, “todas as armas” precisam permanecer disponíveis ao PP e ao União Brasil. O fundo eleitoral é uma das principais. Na avaliação deles, destinar dezenas de milhões de reais à candidatura presidencial do PL significaria retirar poder de fogo dos candidatos da própria federação.
A resistência também envolve a disputa pela maior bancada da Câmara. A União Progressista trabalha para eleger entre 112 e 120 deputados, enquanto o PL pretende chegar a 115. Na avaliação de dirigentes da federação, colocar dinheiro na campanha presidencial permitiria ao PL deslocar uma parcela maior de seus próprios recursos para candidatos ao Congresso — fortalecendo justamente seu principal concorrente.
O PL tem condições de financiar sozinho a candidatura. Além dos R$ 881,7 milhões que receberá do fundo eleitoral, o partido reservou aproximadamente R$ 134 milhões do fundo partidário, valor suficiente para cobrir o teto de R$ 133,4 milhões da campanha presidencial. Cada real transferido pela União Progressista à chapa, assim, poderia liberar dinheiro do PL para outras disputas.
Não há, até agora, um valor negociado. Um aporte meramente simbólico poderia repetir os R$ 1 milhão repassados pelo PSB à campanha de Lula em 2022. Uma contribuição de R$ 30 milhões equivaleria ao financiamento de cerca de nove campanhas competitivas para deputado federal. Se o custo presidencial fosse dividido proporcionalmente ao fundo eleitoral de PL e União Progressista, a conta da federação se aproximaria de R$ 69 milhões — o equivalente a quase 22 campanhas de deputado no limite previsto pelo PP.
A decisão da União Progressista, portanto, passa por dois cálculos. O primeiro é político: parte de seus parlamentares não quer aderir ao projeto de Flávio nem carregar esse vínculo nas disputas estaduais. O segundo é econômico: apoiar a chapa pode significar retirar recursos das próprias bancadas para financiar o partido que disputa com a federação o comando da Câmara. Tereza pode aceitar a vice, mas ainda falta convencer PP e União Brasil de que a candidatura não lhes custará votos, palanques e dinheiro.







