Tarifaço: EUA confirmam taxa de 25% e mantêm negociação aberta
Greer diz que café e carne ficarão fora da cobrança; prazo de vigência e lista completa ainda dependem de publicação oficial
Donald Trump acatou a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, e decidiu impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira, 15, pelo representante comercial americano, Jamieson Greer. As novas tarifas começam a valer a partir do dia 22.
“O presidente tomou a decisão de tomar ação responsiva”, afirmou Greer. A lista completa dos produtos atingidos ainda será publicada, mas o auxiliar de Trump antecipou que café e carne bovina ficarão fora da nova taxação.
O documento final será decisivo para esclarecer o ponto que mais preocupava o governo brasileiro: quando a tarifa começará a ser cobrada. Até a declaração de Greer, não havia sido revelada a data de vigência nem se Washington concederia algum período de negociação antes da aplicação efetiva da medida.
A porta, porém, não foi totalmente fechada. Greer afirmou que os Estados Unidos continuam abertos ao diálogo, mas cobrou do Brasil maior acesso para empresas americanas aos regimes tarifários preferenciais oferecidos a outros países. Também citou diretamente o mercado brasileiro de etanol.
A negociação agora muda de natureza. O Brasil não discute mais como evitar a decisão, mas como retirar produtos da lista, adiar a cobrança ou construir condições para que a tarifa seja revista.
Greer também deixou um recado contra uma reação imediata de Brasília. Segundo ele, Washington poderá rever suas ações caso o Brasil retalie. “Não é de interesse de ninguém que ocorram retaliações”, disse.
Mais cedo, a equipe americana já havia comunicado ao governo brasileiro que a recomendação final fora levada a Trump e que não haveria uma lista “dinâmica” de exceções. Ao mesmo tempo, Greer manteve aberto o canal para novas tratativas.
A tarifa está decidida. Falta agora saber quando o gatilho será acionado e quanto o Brasil conseguirá salvar antes disso.






