ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Radar Econômico

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças

Tarifaço já muda mapa de fábricas das empresas brasileiras

WEG reduziu de 30% para 20% a fatia do mercado americano abastecida pelo Brasil; Portobello adiou investimentos e Gerdau colhe vantagem de produzir nos EUA

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 ago 2026, 09h00 | Atualizado em 11 ago 2026, 09h07
Tarifaço já muda mapa de fábricas das empresas brasileiras Priorizar nos meus resultados Google

O tarifaço americano ainda aparece de forma limitada na balança comercial de julho, mas já está provocando mudanças concretas dentro das grandes empresas brasileiras. Enquanto algumas transferem produção para México e Estados Unidos para escapar das barreiras, outras adiam investimentos ou tentam obter exceções em Washington. Há ainda quem esteja do lado vencedor: companhias brasileiras com fábricas nos EUA passaram a se beneficiar da proteção contra concorrentes importados.

É o caso da WEG. Em 2024, cerca de 30% dos produtos vendidos pela companhia nos Estados Unidos eram abastecidos por fábricas brasileiras. Hoje, essa parcela está próxima de 20%. Do restante, aproximadamente 33% já é produzido nos próprios EUA e 41% vem do México. A administração da fabricante de equipamentos elétricos afirmou, na teleconferência do segundo trimestre, que, diante das tarifas, aumentou a produção nas unidades mexicana e americana e que os efeitos dessa mudança já aparecem nos números. Nos contratos novos, a empresa também passou a prever mecanismos para repassar ao cliente eventuais custos tarifários.

A Portobello vive situação diferente. A fabricante de revestimentos investiu US$ 200 milhões em uma fábrica no Tennessee, justamente para ampliar sua produção dentro dos Estados Unidos, mas ainda depende do Brasil para complementar formatos e produtos que a unidade americana não fabrica. Em depoimento ao governo americano, a companhia informou que suas importações do Brasil já haviam caído 56% em relação ao ano anterior em consequência das tarifas anteriores. A incerteza levou ainda ao adiamento, do terceiro trimestre de 2026 para o mesmo período de 2027, de investimentos e contratações previstos nos EUA. A empresa chegou a alertar que alguns projetos podem ser cancelados.

Na Gerdau, a lógica se inverte. Como boa parte de sua operação norte-americana produz dentro dos Estados Unidos, as barreiras ao aço importado ajudam a proteger suas usinas locais. No segundo trimestre, o Ebitda ajustado da operação norte-americana alcançou R$ 2,6 bilhões, alta de 59% em um ano, e a margem bruta avançou de 15,3% para 23%. A companhia relacionou parte da melhora ao ambiente criado pelas tarifas da Seção 232. Nesse caso, o protecionismo americano pode prejudicar a competitividade da produção brasileira e, ao mesmo tempo, beneficiar uma multinacional brasileira instalada do lado de dentro da barreira.

Continua após a publicidade

Outras empresas escolheram Washington como frente de batalha. A Klabin pediu ao governo americano exclusões para categorias específicas de papéis e embalagens produzidos no Brasil. A CSN também atuou para evitar que produtos siderúrgicos já submetidos à Seção 232 acabassem sujeitos a uma segunda sobretaxa. A Tupy, por sua vez, ganha flexibilidade com a expansão de sua operação mexicana: a fábrica de Ramos Arizpe produz componentes para o mercado norte-americano com conteúdo compatível com as regras do USMCA, tornando-se uma alternativa industrial importante num cenário de fragmentação comercial.

Os números da balança ajudam a dimensionar o movimento, embora julho ainda tenha capturado poucos dias da nova tarifa. As exportações brasileiras cresceram 6,2% sobre julho de 2025, para US$ 34,1 bilhões, mas as vendas aos Estados Unidos caíram 5% em valor e 11,9% em volume. No acumulado até julho, o volume exportado aos americanos recua 15,1%. A fotografia mais reveladora, porém, começa a surgir dentro das próprias empresas: produção que deixa de crescer no Brasil, pedidos deslocados para outros países, investimentos postergados e capital sendo direcionado para onde a tarifa não alcança.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).