Subsídio à energia solar dobra em dois anos e supera R$ 10 bilhões
Benefício já responde por quase 40% dos subsídios do setor elétrico e eleva a conta dos demais consumidores
Os subsídios à micro e minigeração distribuída, formada principalmente por painéis solares instalados em casas e comércios, atingiram o recorde de R$ 10,15 bilhões no primeiro semestre de 2026. O valor equivale a 38,6% dos R$ 26,29 bilhões em benefícios contabilizados no setor elétrico no período, segundo o Subsidiômetro da Aneel.
A participação da modalidade praticamente dobrou em menos de dois anos. Em todo o ano de 2024, a geração distribuída recebeu R$ 9,34 bilhões, ou 19,8% dos subsídios do setor. Isso significa que apenas nos primeiros seis meses deste ano o benefício já superou em cerca de R$ 800 milhões o acumulado durante os 12 meses de 2024.
Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o subsídio cresceu 76,3%, enquanto o conjunto dos benefícios do setor elétrico avançou 5,7%. A diferença é incorporada às tarifas pagas pelos demais consumidores, inclusive aqueles que não possuem painéis solares.
O avanço também criou um desafio operacional. Em períodos ensolarados e de baixo consumo, milhões de sistemas conectados às redes de distribuição continuam produzindo energia, mas não podem ser comandados diretamente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. O próprio ONS reconhece que essa falta de supervisão dificulta o equilíbrio entre geração e consumo e pode comprometer a segurança do sistema em cenários de sobreoferta.
Isso não significa que os painéis provoquem automaticamente apagões. O risco aparece quando geração elevada, demanda reduzida e falta de instrumentos de controle ocorrem simultaneamente — justamente enquanto o custo do benefício continua sendo transferido para a conta de luz dos demais brasileiros.







