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Setor produtivo reclama de acordo que coloca MEI em banho-maria

Acordo de Hugo Motta com o Planalto destrava reajuste do limite para microempreendedores, mas desidrata projeto

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jun 2026, 12h00
Setor produtivo reclama de acordo que coloca MEI em banho-maria Priorizar nos meus resultados Google

O acordo costurado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, com o Palácio do Planalto para elevar gradualmente o teto do MEI acendeu o sinal amarelo entre entidades do comércio e de serviços.

A proposta tira da gaveta uma demanda antiga do setor produtivo, mas veio em formato bem mais limitado do que o defendido pelas associações empresariais. Pelo desenho em negociação, o limite anual do MEI subiria para 110 mil reais em 2027 e chegaria a 140 mil reais apenas em 2028.

Nos bastidores, a leitura é que o governo aceitou mexer no MEI, mas travou o avanço mais amplo do projeto para preservar a arrecadação. Ficaram fora do acordo as faixas superiores do Simples Nacional, que atendem microempresas e empresas de pequeno porte — justamente o ponto considerado mais sensível por estados, municípios e pela equipe econômica.

A reclamação do setor é que o escalonamento transforma a inflação em uma espécie de punição ao pequeno empreendedor. Como a tabela está defasada, empresas que não cresceram de fato acabam empurradas para fora do regime apenas porque os custos e o faturamento nominal subiram.

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“Atualizar o limite do MEI não significa conceder um benefício novo. Significa apenas corrigir uma defasagem que impede milhões de brasileiros de continuarem empreendendo. Adiar essa atualização para 2028 é obrigar o pequeno empreendedor a pagar a conta da inflação antes mesmo de conseguir crescer”, afirma Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil.

No Congresso, parlamentares ligados ao empreendedorismo admitem reservadamente que o formato apresentado por Motta foi o “remédio possível” para vencer a resistência do governo e de governadores, preocupados com a perda de arrecadação de ICMS e ISS.

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A pressão agora deve migrar para a comissão especial. A ideia das entidades é tentar encurtar o prazo de transição e recolocar na mesa algum tipo de atualização para as demais faixas do Simples. O argumento é simples: sem correção mais ampla, a tabela defasada continuará funcionando como um freio invisível para quem tenta crescer em 2026 e 2027.

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