Rival avalia ir ao Cade contra acordo de Maersk e MSC pelo Tecon 10
Concorrentes veem compra cruzada de participações na BTP como um acerto prévio entre as armadoras
O acordo montado por Maersk e MSC para reorganizar o controle da Brasil Terminal Portuário (BTP) caso uma delas vença o leilão do Tecon Santos 10 provocou uma reação dura entre concorrentes. Uma empresa avalia pedir ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sua admissão como terceira interessada nos processos para tentar impedir a aprovação das operações, apurou o Radar Econômico.
As duas armadoras, atualmente sócias em partes iguais na BTP, apresentaram ao Cade operações condicionadas ao resultado do futuro leilão. Pelo desenho, se a Maersk conquistar o Tecon 10, a MSC comprará a participação da parceira na BTP. Se a MSC vencer, ocorrerá o movimento inverso, com a Maersk adquirindo a fatia da concorrente no terminal.
Na avaliação de rivais, o arranjo cria uma espécie de seguro para as duas companhias. A vencedora ficaria com o novo megaterminal, enquanto a derrotada passaria a controlar integralmente a BTP. Assim, independentemente do resultado da licitação, Maersk e MSC terminariam separadas e à frente de dois dos principais terminais de contêineres do Porto de Santos.
Duas empresas concorrentes ouvidas pelo Radar Econômico classificaram o desenho como um acerto prévio entre as armadoras. Uma delas afirmou que estuda entrar formalmente no Cade para questionar as operações. A segunda também considera o acordo um absurdo do ponto de vista concorrencial, mas, até o momento, não pretende participar do processo.
O movimento ganha relevância justamente quando o governo federal discute permitir que atuais operadores de terminais e empresas de navegação participem desde a primeira etapa do leilão do Tecon 10, desde que se comprometam a vender seus ativos existentes em Santos caso saiam vencedores. A estrutura apresentada por Maersk e MSC busca mostrar antecipadamente como esse desinvestimento poderia ser executado.
Os concorrentes sustentam, porém, que a compra cruzada não representa necessariamente a entrada de um novo agente no mercado. Na prática, a sociedade entre Maersk e MSC seria desfeita, mas cada uma poderia terminar verticalmente integrada a um grande terminal em Santos, preservando o peso das duas armadoras na movimentação de contêineres do porto.
A eventual entrada de um terceiro interessado permitiria à empresa apresentar argumentos, estudos econômicos e documentos contra a aprovação dos negócios. O Cade terá de avaliar não apenas a transferência das participações na BTP, mas também os efeitos do arranjo sobre a independência competitiva das duas armadoras no leilão do Tecon 10 e sobre a concentração futura do mercado portuário de Santos.






