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Rival americana fez lobby para tirar Bracell das exceções do tarifaço

USTR acolheu pedido para taxar celulose solúvel; produto pode acumular carga adicional de 34,76%

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 11h20
Rival americana fez lobby para tirar Bracell das exceções do tarifaço Priorizar nos meus resultados Google

Uma ofensiva da americana Rayonier Advanced Materials, a RYAM, colocou a Bracell entre as poucas empresas que perderam uma isenção prevista na versão inicial do novo tarifaço de Donald Trump.

Em audiência realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, em 7 de julho, o executivo Colby Slaughter, da RYAM, citou nominalmente a Bracell e pediu que a celulose solúvel de alta pureza fosse retirada da lista de exceções à tarifa de 25%.

Segundo Slaughter, a manutenção da isenção permitiria à produtora brasileira continuar vendendo abaixo dos preços americanos e deslocando a produção doméstica. A RYAM também vinculou a disputa à segurança nacional, afirmando ser a única fabricante americana do insumo utilizado na produção de nitrocelulose para propelentes e explosivos militares.

Oito dias depois da audiência, a decisão final do USTR atendeu exatamente ao pedido: a celulose solúvel de alta pureza foi retirada das exceções. O produto foi uma das raras categorias que tinham sido poupadas na proposta de junho, mas acabaram incluídas no tarifaço definitivo.

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O USTR não atribui formalmente a mudança à RYAM, mas reproduz na decisão argumentos apresentados pela companhia, como a existência de oferta doméstica e a necessidade de alinhar a tarifa a outras medidas contra as importações brasileiras de celulose.

A ofensiva da concorrente não se limitou ao tarifaço. A RYAM também é uma das autoras dos processos antidumping e antissubsídio abertos pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos contra o produto brasileiro.

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Com isso, a celulose da Bracell pode ficar sujeita à tarifa de 25%, a um depósito antidumping preliminar de 6,09% e a outro depósito de 3,67% por supostos subsídios. Somadas, as medidas representam uma carga adicional de 34,76%.

Os códigos tarifários abrangidos pelas investigações movimentaram cerca de 207,8 milhões de dólares em importações americanas originárias do Brasil em 2024. O valor corresponde à categoria investigada e não exclusivamente às vendas da Bracell.

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A RYAM também acusou produtores brasileiros de obter vantagens relacionadas ao desmatamento ilegal. A Bracell declara que sua celulose é produzida com eucalipto cultivado em áreas certificadas e afirma manter uma política de desmatamento zero em sua cadeia de fornecimento.

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