Rival americana fez lobby para tirar Bracell das exceções do tarifaço
USTR acolheu pedido para taxar celulose solúvel; produto pode acumular carga adicional de 34,76%
Uma ofensiva da americana Rayonier Advanced Materials, a RYAM, colocou a Bracell entre as poucas empresas que perderam uma isenção prevista na versão inicial do novo tarifaço de Donald Trump.
Em audiência realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, em 7 de julho, o executivo Colby Slaughter, da RYAM, citou nominalmente a Bracell e pediu que a celulose solúvel de alta pureza fosse retirada da lista de exceções à tarifa de 25%.
Segundo Slaughter, a manutenção da isenção permitiria à produtora brasileira continuar vendendo abaixo dos preços americanos e deslocando a produção doméstica. A RYAM também vinculou a disputa à segurança nacional, afirmando ser a única fabricante americana do insumo utilizado na produção de nitrocelulose para propelentes e explosivos militares.
Oito dias depois da audiência, a decisão final do USTR atendeu exatamente ao pedido: a celulose solúvel de alta pureza foi retirada das exceções. O produto foi uma das raras categorias que tinham sido poupadas na proposta de junho, mas acabaram incluídas no tarifaço definitivo.
O USTR não atribui formalmente a mudança à RYAM, mas reproduz na decisão argumentos apresentados pela companhia, como a existência de oferta doméstica e a necessidade de alinhar a tarifa a outras medidas contra as importações brasileiras de celulose.
A ofensiva da concorrente não se limitou ao tarifaço. A RYAM também é uma das autoras dos processos antidumping e antissubsídio abertos pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos contra o produto brasileiro.
Com isso, a celulose da Bracell pode ficar sujeita à tarifa de 25%, a um depósito antidumping preliminar de 6,09% e a outro depósito de 3,67% por supostos subsídios. Somadas, as medidas representam uma carga adicional de 34,76%.
Os códigos tarifários abrangidos pelas investigações movimentaram cerca de 207,8 milhões de dólares em importações americanas originárias do Brasil em 2024. O valor corresponde à categoria investigada e não exclusivamente às vendas da Bracell.
A RYAM também acusou produtores brasileiros de obter vantagens relacionadas ao desmatamento ilegal. A Bracell declara que sua celulose é produzida com eucalipto cultivado em áreas certificadas e afirma manter uma política de desmatamento zero em sua cadeia de fornecimento.







