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Renan Santos promete acabar com as bets; o que está de fato em jogo

Candidato do Missão mira setor bilionário, mas discussão envolve arrecadação, empregos e patrocínios, além do crescente custo social

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 ago 2026, 10h29 | Atualizado em 8 ago 2026, 10h48
Renan Santos promete acabar com as bets; o que está de fato em jogo Priorizar nos meus resultados Google

Renan Santos elevou o tom contra as casas de apostas neste sábado. Ao divulgar a mensagem de um seguidor que relata ter perdido dinheiro, contraído empréstimos e pensado em tirar a própria vida por causa do vício em jogos, o candidato do Missão à Presidência foi direto: “Vou proibir as bets”.

O relato toca justamente no ponto mais sensível da explosão das apostas no Brasil. A expansão do setor veio acompanhada de preocupação crescente com dependência, endividamento e os efeitos do jogo sobre a saúde mental e a renda das famílias. É sobre esse custo social que Renan constrói uma das propostas mais radicais apresentadas até agora contra as bets.

Mas acabar com as apostas esportivas significaria também desmontar um mercado que o próprio Estado decidiu legalizar, regulamentar e tributar. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as empresas licenciadas faturaram R$ 12,2 bilhões e recolheram cerca de R$ 4,5 bilhões em tributos. Há ainda os valores pagos pelas companhias para obter autorização federal: cada licença custa R$ 30 milhões e vale por cinco anos.

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A conta se espalha para além dos cofres públicos. Em poucos anos, as casas de apostas se transformaram em algumas das maiores financiadoras da publicidade esportiva brasileira, com presença maciça em camisas de clubes, campeonatos, transmissões de futebol e veículos de comunicação. Uma proibição abrupta retiraria bilhões de reais dessa cadeia e exigiria a substituição dessas receitas.

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A promessa também não dependeria apenas da vontade do Palácio do Planalto. Como a exploração das apostas de quota fixa está prevista em lei, um eventual governo Renan Santos precisaria convencer o Congresso a desmontar o modelo aprovado nos últimos anos. Também surgiriam discussões sobre o destino das autorizações já concedidas e dos valores pagos pelas empresas para ingressar no mercado regulamentado.

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A discussão levantada por Renan, portanto, é maior do que ser a favor ou contra as bets. De um lado está uma indústria que passou a gerar bilhões em impostos, investimentos e patrocínios. Do outro, os custos do vício, do endividamento e do comprometimento da renda de milhares de famílias. A questão que uma eventual proibição terá de responder é se o caminho está em extinguir o mercado ou em elevar drasticamente as restrições, a fiscalização e a responsabilidade financeira das próprias casas de apostas. É isso que está, de fato, em jogo.

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