Previ emplaca Ollie no comando da Vale, mas perde cadeira no conselho
Fundo venceu a disputa pela presidência do colegiado, mas José Maurício Coelho, indicado para ocupar a vaga de Daniel Stieler, foi derrotado por Ieda Gomes
A Previ conseguiu colocar seu candidato na presidência do conselho de administração da Vale, mas terminou a assembleia desta quarta-feira, 22, com uma cadeira a menos no colegiado. Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, foi eleito para comandar o conselho, enquanto José Maurício Pereira Coelho, indicado pelo fundo de pensão, perdeu a disputa pela vaga aberta com a saída de Daniel Stieler.
Segundo o resultado obtido pelo Radar Econômico com fontes que acompanharam a votação, Ollie recebeu 1,977 bilhão de votos favoráveis, ante 1,065 bilhão de Marcelo Gasparino. A vantagem foi de quase 912 milhões de votos. Ollie teve ainda 105 milhões de votos contrários, enquanto a rejeição a Gasparino chegou a 1,189 bilhão.
Na eleição para completar o conselho, o resultado foi ainda mais amplo. Ieda Gomes Yell recebeu 2,4 bilhões de votos favoráveis, contra 628,5 milhões de José Maurício. A diferença entre os dois candidatos passou de 1,77 bilhão de votos.
É nessa segunda votação que está o revés da Previ. A cadeira era ocupada por Daniel Stieler, ex-presidente do próprio fundo, que renunciou ao conselho e à presidência do colegiado em 6 de julho. Com a derrota de José Maurício, a Previ não conseguiu repor a vaga que mantinha ligada à fundação.
A eleição de Ollie não compensa essa perda em número de assentos. Ele já integrava o conselho como membro independente e exercia a função de lead independent director. A Previ apoiou sua promoção à presidência, mas Ollie não é um representante formal do fundo no colegiado. O executivo tem mais de 45 anos de experiência em finanças e estratégia, com passagens por grupos de mineração como Anglo American e De Beers.
A assembleia foi convocada depois de a Previ iniciar uma ofensiva para retirar Stieler da presidência antes do fim do mandato. Além de apoiar Ollie, o fundo indicou José Maurício, que já presidiu a própria Previ e o conselho da Vale, para ocupar a cadeira. A renúncia de Stieler esvaziou a votação sobre sua destituição, mas manteve abertas as duas disputas de poder.
Ieda, por sua vez, chegou à assembleia respaldada pela maioria do conselho. Seu nome havia sido aprovado por oito dos 13 integrantes do colegiado após passar pelo processo formal de indicação da Vale. Ao analisar José Maurício, o conselho reconheceu que o executivo tinha qualificações para a função, mas evitou recomendar sua eleição porque ele não havia sido submetido ao mesmo processo de avaliação.
Na prática, a Previ sai com uma vitória importante, mas incompleta. Conseguiu influenciar a escolha do novo presidente, porém não ampliou seu espaço no conselho — ao contrário, perdeu a cadeira anteriormente ocupada por Stieler. Os acionistas aceitaram o nome independente apoiado pelo fundo para comandar o colegiado, mas rejeitaram seu indicado direto para integrá-lo.







