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Pesquisa destrincha perfil do investidor de criptomoedas no Brasil

Levantamento do Mercado Bitcoin mostra que investidores de ativos digitais aportam com mais frequência, diversificam mais e reagem menos a quedas

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 17h00
Pesquisa destrincha perfil do investidor de criptomoedas no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

O investidor brasileiro de criptoativos está mais distante do estereótipo do apostador impulsivo do que costuma sugerir o senso comum. Uma pesquisa inédita do MB | Mercado Bitcoin, feita em parceria com o Opinion Box, indica que a experiência com ativos digitais está associada a um comportamento financeiro mais disciplinado, diversificado e menos reativo a perdas do que o observado na média dos investidores do país.

O levantamento, batizado de Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos, ouviu mais de mil investidores em todo o Brasil e ajuda a explicar uma mudança importante no mercado: para parte dos brasileiros, cripto deixou de ser apenas uma aposta de alto risco e passou a funcionar como um complemento da carteira — e, em muitos casos, como porta de entrada para uma relação mais constante com investimentos.

O primeiro dado relevante é sobre a percepção de risco. Entre os brasileiros que nunca tiveram exposição a criptoativos, 52% dizem ter medo da categoria. Já entre quem investe ou já investiu em ativos digitais, esse percentual cai para 18%. A diferença sugere que parte da resistência ao tema está menos ligada ao comportamento real do investidor e mais à falta de familiaridade com o produto.

Essa familiaridade parece se refletir na rotina financeira. Segundo o estudo, 56% do público geral declara realizar aportes frequentes em investimentos tradicionais. Entre os investidores de cripto, o percentual sobe para 68%, considerando aplicações semanais, quinzenais ou mensais. Na prática, o grupo que convive com a volatilidade dos ativos digitais mostra uma disciplina maior de acompanhamento e alocação.

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A pesquisa também desmonta a ideia de que o investidor de cripto concentra toda a carteira em uma única aposta. Ao contrário: 70% dos investidores de ativos digitais afirmam priorizar diversificação, contra 32% do público geral. Esse grupo mantém, em média, 5,2 tipos de produtos financeiros no portfólio — mais que o dobro dos 2,4 produtos registrados entre investidores tradicionais.

O comportamento diante de perdas reforça essa leitura. Apenas 25% dos investidores de cripto afirmam cogitar mudar de estratégia depois de uma queda de preços, ante 31% do público geral. O dado indica uma postura menos reativa, mesmo em uma classe de ativos conhecida por oscilações intensas.

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Um exemplo citado pelo MB ocorreu no primeiro trimestre de 2026. Durante uma correção no preço do bitcoin, o número de compradores na plataforma superou o de vendedores em 5,6 vezes na primeira semana de fevereiro. Em vez de uma fuga generalizada, a queda foi interpretada por parte dos investidores como uma janela de entrada.

A leitura do estudo é que os criptoativos vêm ocupando um espaço diferente no portfólio de uma fatia dos brasileiros. Menos como substitutos dos investimentos tradicionais e mais como uma camada adicional de diversificação, aprendizado e exposição a risco. O retrato que emerge da pesquisa é o de um investidor mais atento, mais frequente nos aportes e, sobretudo, menos assustado com a volatilidade.

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