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Os credores de Furnas que podem barrar ou salvar venda da Eletrobras

Bradesco foi contratado para negociar waiver e corre atrás de 2.700 investidores pessoas físicas para assembleia

Por Josette Goulart Atualizado em 27 Maio 2022, 19h48 - Publicado em 27 Maio 2022, 19h29

O Bradesco Banco de Investimento (BBI) foi contratado para negociar o waiver com os debenturistas de Furnas. A oferta pública das ações da Eletrobras poderá ser cancelada se a empresa não conseguir esse perdão dos credores de sua subsidiária. O Bradesco precisa, em tempo recorde, encontrar 2.700 investidores pessoas físicas, que detém 80% das debêntures da empresa, para conseguir quórum na assembleia de debenturistas e ainda votos favoráveis ao perdão. O banco disse à Eletrobras que tem grandes chances de conseguir a aprovação, mas reforçou que será um “grande desafio” já que essas operações costumam levar meses e terá que ser feita em duas semanas.

Os clientes private banking do Bradesco representam cerca de 25% do total de pessoas físicas que estão com o papel. Outros 15% da emissão estão concentrados em mãos de investidores institucionais que são clientes do Julius Baer e Credit Suisse. Os clientes pessoas físicas do banco Itaú possuem 20% das debêntures. Cerca de 35% estão divididos entre clientes pessoas físicas da XP, Santander, Safra e BTG. E cerca de 10% estão pulverizados em outras instituições. Esta lista é de credores de uma das séries de debentures emitidas em 2019. A outra série foi inteira adquirida pelo Bradesco, que garantiu à Eletrobras que dará o waiver.

A primeira assembleia de debenturistas foi convocada para o dia 30 de maio, na próxima segunda-feira, e o prazo é considerado apertado demais para conseguir chegar a um quórum suficiente de investidores. São necessários 50% do total de investidores. A segunda assembleia será convocada para o dia 06 de junho, quando então é exigido um quórum de 30%. Se não conseguir quórum, não consegue aprovar o waiver. 

A Eletrobras alertou no prospecto lançado hoje para a venda da empresa ao setor privado que poderá cancelar a operação sem esse perdão. A empresa teve que fazer um aporte de 1,58 bilhão de reais para cobrir um rombo na usina de Santo Antônio, no rio Madeira. Ao fazer esse aporte, descumpriu uma cláusula de 1,2 bilhão de reais emitidos em duas séries de debêntures, em 2019, e corre o risco de ver antecipada grande parte de sua dívida.

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