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Radar Econômico Por Victor Irajá (interino) Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes e Felipe Erlich

Os bastidores da audiência do caso Eldorado que custou R$7 mi em advogados

Por três dias, salas do Fórum João Mendes abrigaram mais de 50 advogados dos indonésios da Paper Excellence e da J&F Investimentos, de Joesley Batista

Por Josette Goulart Atualizado em 9 mar 2022, 09h30 - Publicado em 7 mar 2022, 14h49

Nos dias que antecederam o Carnaval, o Fórum João Mendes da Justiça de São Paulo foi palco de uma das audiências mais milionárias da história. O caso envolve a J&F Investimento, da família de Joesley Batista, contra a Paper Excellence, de uma família indonésia bilionária. Eles brigam pela Eldorado Celulose, num caso que já chega a 10 bilhões de reais e que é cercado de acusações de espionagem e ataques hackers.

A sala de audiência ficou tão pequena que a juíza Renata Mota Maciel reservou mais duas salas de apoio. As versões sobre o número de advogados mudam um pouco de acordo com o contador da história. Mas eram no mínimo 50 advogados. Alguém contou 69 advogados, considerando aqueles que acompanharam testemunhas como os supostos hackers. Como advogado cobra por  hora, somente nos três dias que duraram as audiências, foram pagos, por baixo, cerca de 7 milhões de reais nas contas de alguns deles. As audiências foram tão extensas que duraram até 3 e 4 horas da manhã. Se em uma única audiência, Joesley e os indonésios gastaram milhões em honorários advocatícios, imagina em anos de disputa. 

A demora das audiências foi tamanha que testemunhas tiveram que esperar incomunicáveis por doze horas. O presidente da Paper Excellence no Brasil, Cláudio Cotrim, que era uma das testemunhas, chegou ao Fórum ao meio-dia da sexta-feira de Carnaval e só foi depor meia noite. Teve advogado que foi parar na enfermaria por pressão baixa ou alta. Os supostos hackers conseguiram o direito a permanecer em silêncio, em uma cena que parecia coisa de filme como iam contar alguns advogados mais tarde. A consultora que contratou os especialistas em tecnologia da informação contou que fez pesquisas de Joesley, Eldorado e Paper na deep web, que não deixa de ser um tipo de Google com informações públicas do submundo da internet. Teve o advogado que parece ter mudado de lado na última hora, ficando do lado de Joesley, mas que a Paper nega que um dia o tenha contratado. Teve o perito que não apareceu e mandou avisar que sofreu um acidente de carro, e agora terá que ser ouvido em nova audiência marcada para o dia 18 de março. O relógio dos advogados segue contando.

Com tantas variáveis e pressão de todo tipo, o que se sabe, com certeza, é que a douta juíza terá um trabalho e tanto para conseguir formar sua sentença, que é esperada até meados deste ano. De um lado, a Paper Excellence espera conseguir assumir a Eldorado, como determinou a sentença arbitral que está sendo contestada. Mesmo com possibilidade de recurso aos tribunais superiores, uma sentença favorável aos indonésios poderia trazer esta vantagem ao grupo que hoje só vê a J&F administrar como quer a empresa. De outro lado, a J&F espera um julgamento a seu favor para conseguir manter o controle da companhia como determinou liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo. Se a juíza decidir que houve de fato parcialidade ou irregularidade no procedimento arbitral, isto tende a acontecer. Mas ainda caberão recursos da decisão. Se a J&F ganhar em todas as instâncias e ninguém fizer acordo no meio do caminho, o caso volta a estaca zero e terá que ser reiniciado no tribunal arbitral. Ou seja, o relógio dos advogados voltará a contar.

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