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Oncoprod perde batalha, mas trava guerra pelo caixa da Oncoclínicas

Principal fornecedora da rede de clínicas se posicionou contrária à recuperação extrajudicial, mas quer ter posição privilegiada para receber

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jul 2026, 10h00
Oncoprod perde batalha, mas trava guerra pelo caixa da Oncoclínicas Priorizar nos meus resultados Google

A Oncoprod perdeu a aposta de que a Oncoclínicas não conseguiria levar sua recuperação extrajudicial à Justiça. A rede protocolou o pedido com a adesão de credores que representam 37% dos R$ 5,16 bilhões abrangidos pelo plano.

A maior fornecedora de medicamentos da companhia, porém, não aderiu à reestruturação. Credora de R$ 1,02 bilhão, a Oncoprod permanece no lado contrário e aposta agora na impugnação apresentada contra a adesão da Opea, responsável por R$ 1,68 bilhão — quase nove de cada dez reais que sustentaram o quórum inicial.

O questionamento é se a securitizadora poderia ter aderido à recuperação sem autorização dos investidores dos CRIs lastreados nos créditos. Se a Justiça considerar a assinatura inválida, o apoio declarado cairá de 37% para aproximadamente 4,3%, muito abaixo do mínimo de um terço exigido para o ajuizamento.

A exclusão da Opea não derrubaria necessariamente o processo de forma automática. Poderia, contudo, retirar a base do pedido, ameaçar a proteção judicial contra cobranças e dificultar a futura homologação, caso a Oncoclínicas não consiga substituir rapidamente o apoio perdido.

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Enquanto essa disputa corre na Justiça, uma segunda negociação revela onde está a verdadeira guerra: no controle do caixa necessário para manter as clínicas abastecidas.

Em abril, o conselho da Oncoclínicas aprovou uma proposta apresentada pela MAK Capital e pela Lumina Capital para uma operação de fomento à rede e à própria Oncoprod. O financiamento, a ser concedido pela Lumina, foi estimado entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões. O valor final dependeria do volume de garantias que a Oncoclínicas conseguisse entregar.

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Não se tratava de dinheiro para amortizar o R$ 1,02 bilhão já devido à distribuidora. O crédito foi desenhado para financiar compras novas de medicamentos junto à Oncoprod, preservar o abastecimento das clínicas e permitir que as duas companhias continuassem gerando receita.

A estrutura previa garantia fiduciária sobre recebíveis de contratos mantidos pela rede credenciada da Oncoclínicas com operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras. Na prática, caso a operação tenha sido formalizada nesses termos, uma parcela do dinheiro pago pelos convênios pode ser direcionada para a estrutura do financiamento antes de chegar ao caixa livre da rede.

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A efetivação, porém, dependia de três condições relevantes: a assinatura dos instrumentos definitivos entre Oncoclínicas e Oncoprod; a definição do volume de recebíveis oferecido em garantia; e a obtenção da anuência das operadoras, hospitais e seguradoras para vincular e direcionar esses pagamentos. Taxa de juros, prazo, cronograma de desembolso e mecanismo exato de amortização não foram divulgados. Fato relevante da operação.

A urgência do financiamento também teve preço político. Entre as condições apresentadas pela MAK e pela Lumina para confirmar a proposta estavam a saída do fundador Bruno Ferrari do conselho e a entrada de Mateus Bandeira, indicado pela MAK, além do então presidente executivo Carlos Gil. O resgate do abastecimento veio acompanhado de influência sobre a governança.

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Essa estrutura colocou a Oncoprod em duas posições economicamente distintas. Como fornecedora corrente, ela vende medicamentos novos, cuja aquisição passou a contar com uma linha específica e potencialmente protegida por recebíveis. Como credora antiga, tem R$ 1,02 bilhão submetido à recuperação e sujeito às condições que ainda serão negociadas com os demais credores.

É essa divisão que explica por que a Oncoprod continua abastecendo a Oncoclínicas e, ao mesmo tempo, torce pela queda da recuperação. A Lumina ajuda a pagar o presente. A Oncoprod luta para que o passado não seja alongado, reduzido ou aprisionado em um acordo coletivo.

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A distribuidora perdeu a primeira batalha ao ver a recuperação chegar à Justiça. Mas a guerra continua: decidir se o bilhão antigo será pago sob as regras da RE ou negociado fora dela — por uma credora que a Oncoclínicas ainda precisa manter na cadeia de fornecimento.

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