O setor que deixou o Ibovespa para trás na bolsa
Estudo da Investo mostra que o índice de utilities da B3, replicado pelo ETF UTLL11, teve o melhor desempenho da bolsa brasileira em 20 anos
Energia elétrica, saneamento e gás podem parecer setores pouco emocionantes. Mas, na bolsa, foram justamente eles que entregaram o melhor resultado de longo prazo.
Um estudo da Investo analisou 20 anos de dados do índice UTIL da B3, de janeiro de 2006 a maio de 2026. O levantamento compara o desempenho do setor com quatro referências conhecidas do mercado: o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira; o IDIV, índice que reúne empresas boas pagadoras de dividendos; o IMA-B, indicador de títulos públicos atrelados à inflação; e o CDI, principal referência da renda fixa no país.
A conclusão é direta: R$ 1 aplicado no UTIL virou R$ 18,09 no período. No Ibovespa, o mesmo R$ 1 teria virado R$ 5,19.
A diferença também aparece no retorno anual. O UTIL rendeu, em média, 15,2% ao ano, contra 8,4% do Ibovespa. Ou seja, uma vantagem de 6,8 pontos percentuais por ano.
O dado mais relevante, porém, é a consistência. Segundo a Investo, o UTIL superou o Ibovespa e o IDIV em 100% das janelas de dez anos analisadas. Isso reduz a chance de o resultado ser apenas fruto de um bom momento específico.
O estudo também mostra que o setor caiu menos nas crises. Em 2008, por exemplo, o Ibovespa chegou a recuar 60%, enquanto o UTIL caiu 37,3%. Na pandemia, a queda foi de 42%, contra 46,8% do Ibovespa.
A explicação está no modelo de negócios. Empresas de energia, saneamento e gás têm demanda mais estável e receitas muitas vezes reguladas, com reajustes ligados à inflação. Por isso, sofrem menos quando a economia desacelera e ajudam a proteger o investidor em períodos de inflação alta.
Na comparação com a renda fixa, o índice também se destacou. O UTIL superou o CDI em 83% das janelas de dez anos. O Ibovespa conseguiu fazer isso em apenas 19% delas. Em outras palavras: o setor regulado da bolsa bateu a principal referência da renda fixa com muito mais frequência do que o índice amplo da B3.
Para a Investo, o UTLL11 é uma forma simples de acessar essa tese em um único ativo. O estudo, porém, ressalta que desempenho passado não é garantia de retorno futuro nem recomendação de investimento.
Em português claro: enquanto o investidor olhava para o Ibovespa como sinônimo de bolsa brasileira, um pedaço mais regulado, previsível e menos barulhento do mercado entregou mais retorno — e com quedas menores.







