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O pedágio cobrado pelo mercado no leilão do Tesouro

Órgão vende 17,3 bilhões de reais em títulos, mas mesas veem custo alto para segurar rolagem da dívida

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 16h14 | Atualizado em 2 jul 2026, 16h14
O pedágio cobrado pelo mercado no leilão do Tesouro Priorizar nos meus resultados Google

O Tesouro Nacional conseguiu colocar nesta quinta-feira, 2, um lote robusto de 17,3 bilhões de reais em títulos prefixados, entre LTN e NTN-F. Na superfície, a operação foi lida como sinal de demanda firme. Nas mesas de renda fixa, porém, a avaliação é menos confortável: houve comprador, mas o preço cobrado pelo mercado voltou a acender alertas.

Gestores ouvidos pelo Radar Econômico afirmam que o movimento marca uma mudança tática depois dos tropeços recentes nos leilões de NTN-B, os papéis atrelados à inflação. Com investidores exigindo prêmios reais cada vez mais salgados, o Tesouro recalibrou a rota e ofereceu ao mercado o que havia maior apetite no momento: prêmio nominal elevado em papéis prefixados.

A fatura veio nas taxas. Para garantir a colocação integral, o Tesouro aceitou pagar algo entre 14,35% e 14,58% ao ano. A leitura de parte do mercado é que, ao validar esse nível no papel físico, o governo acabou dando combustível adicional para a curva futura de juros.

O reflexo apareceu rapidamente no DI de janeiro de 2029, que avançou para a casa de 14,35% e reforçou o estresse ao longo da curva. Para quem estava posicionado em fechamento de juros, o movimento significou perdas relevantes na marcação a mercado.

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A percepção entre gestores é que o mercado segue testando o limite do governo. Há demanda para risco fiscal brasileiro, mas com um pedágio crescente. O Tesouro ganhou fôlego de curto prazo para a rolagem da dívida. A dúvida agora é quanto essa conta vai custar mais adiante.

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