O paredão de R$ 700 bilhões que testa o Tesouro
Em apenas três meses, vence o equivalente a quase 8% de toda a dívida pública federal
O estresse recente no mercado de títulos públicos tem um ingrediente pouco visível no calendário: o Tesouro encara, entre julho e setembro, um paredão de cerca de R$ 709 bilhões em vencimentos da dívida interna. Em apenas três meses, vence o equivalente a quase 8% de toda a dívida pública federal.
O pico vem em agosto, com R$ 285,5 bilhões a vencer, puxado principalmente por NTN-Bs — justamente o tipo de papel que mais tem sofrido com a abertura dos juros reais. Julho também pesa, com R$ 250,9 bilhões concentrados em prefixados, enquanto setembro traz R$ 172,7 bilhões, quase tudo em LFTs.
Na prática, o cronograma dá munição ao mercado para testar o Tesouro. Com a curva pressionada, os investidores pedem prêmio maior para rolar a dívida. A equipe econômica, por sua vez, fica diante de escolhas ruins: aceitar taxas mais salgadas, reduzir ofertas para não validar preços ruins ou usar o colchão de liquidez para atravessar a turbulência.
O problema não é falta de caixa imediata, mas sinalização. Quanto mais o Tesouro precisar dosar leilões ou mexer no ritmo das emissões, maior a leitura de que a rolagem da dívida ficou mais cara — e mais curta — em um momento de desconfiança fiscal.







