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O descaso do Brasil com PCDs no mercado de trabalho durante a pandemia

Estudo mostra que geração de postos de trabalho para deficientes continuou prejudicada em 2021; construção é o setor com pior saldo negativo

Por Felipe Mendes 1 jan 2022, 18h40

Embora a geração de emprego tenha dado sinais de retomada nos últimos meses, o mesmo não pode ser dito para a criação de postos de trabalho formais para pessoas com deficiência (PcDs). Segundo um estudo do economista Fabio Bentes, da CNC, a partir dos dados do Caged, o Brasil exterminou com 5.520 postos para PcDs em 12 meses, terminados em outubro de 2021. O desalento para os portadores de algum tipo de deficiência foi maior entre os homens: no período, 6.442 vagas foram eliminadas entre eles, enquanto o saldo para o público feminino é razoavelmente positivo (+922).

A maioria dos PcDs desligados em plena pandemia de Covid-19, revela a pesquisa, foram de trabalhadores com o ensino fundamental completo (-1.736 postos), seguido por profissionais que cursaram entre o 6º e o 9º ano do ensino fundamental (-1.672). Entre profissionais PcDs com ensino superior, o saldo no período é negativo em 838 vagas. Outro dado importante a se destacar é a faixa etária dos trabalhadores dispensados: a grande maioria tem entre 50 e 64 anos (-5.268). Por outro lado, entre os jovens de 18 a 24 anos o período foi de expansão, com um saldo positivo de 4.532 empregos formais gerados.

A construção foi o setor que mais demitiu PcDs entre novembro de 2020 e outubro de 2021, com saldo negativo de 2.337 vagas. Os segmentos seguintes, do lado negativo, foram “transporte, armazenagem e correio” (-1.842 empregos) e “indústrias de transformação” (-1.218). Dentre os maiores geradores de vagas no período analisado, estão “comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas”, com saldo positivo de 880 vagas criadas, e “informação e comunicação” (+467). Para esse público, os obstáculos no mercado de trabalho são cada vez maiores.

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