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O boom das importações de gás americano em junho

Crise no Oriente Médio, mercado aberto e risco hidrológico fizeram importações brasileiras de GNL dos EUA saltarem 400% em junho

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 11h00
O boom das importações de gás americano em junho Priorizar nos meus resultados Google

Um movimento silencioso de mais de 220 milhões de dólares, cerca de 1,2 bilhão de reais, passou pelos portos brasileiros em junho e revelou o novo xadrez do gás no país. Em meio à tensão no Oriente Médio e à disputa global por cargas de GNL, o Brasil ampliou em 400% as compras de gás natural liquefeito dos Estados Unidos em relação a maio.

Foram 16,26 bilhões de pés cúbicos desembarcados no mês, segundo dados da S&P Global, em uma corrida que combinou três fatores: geopolítica, abertura do mercado nacional e segurança energética.

O primeiro gatilho veio de fora. A escalada no Oriente Médio e o temor de gargalos logísticos no Estreito de Hormuz acenderam o alerta entre compradores globais. Com o risco de alta de preços e disputa por navios no segundo semestre, agentes brasileiros correram para travar cargas no Golfo do México.

Mas o salto não se explica apenas pela Petrobras. A abertura do mercado de gás começou a aparecer nos portos. Terminais privados, como Barcarena, no Pará, operado pela New Fortress Energy, e Sergipe, da Eneva, receberam cargas para abastecer térmicas e consumidores locais.

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O terceiro fator é doméstico: o período seco. Com o ONS calibrando o uso dos reservatórios, o gás virou seguro contra aperto hídrico. Ter combustível disponível significa deixar térmicas prontas para entrar em operação se o sistema exigir.

O mapa de junho mostra a nova geografia do GNL no Brasil: duas cargas em Salvador, uma na Baía de Guanabara, uma em Sergipe, uma em Barcarena e ainda o navio Simsimah, fretado pela QatarEnergy, com destino indicado ao país.

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O preço FOB do gás americano fechou em 13,60 dólares por milhão de BTU. Mais do que uma compra pontual, o salto mostra que o Brasil passou a jogar de forma mais ativa no mercado spot global para evitar que a crise externa vire problema de energia dentro de casa.

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