O aviso do Tesouro que piscou nas tesourarias de bancos
Grandes dealers receberam sinais de que o governo deve acionar recompras extraordinárias para tentar conter a escalada dos juros reais
Grandes bancos já receberam, nos bastidores, indicações de que o governo está pronto para lançar mão de leilões extraordinários de recompra de títulos públicos, sobretudo papéis atrelados à inflação, por conta da pressão sobre a curva de juros que continua avançando.
A preocupação central está nas NTN-Bs. Depois de semanas de estresse, incerteza fiscal e deterioração da percepção de risco, os investidores passaram a exigir prêmios cada vez mais altos para carregar os títulos longos. Nas telas, o Tesouro IPCA+ passou a rondar a faixa de 8,5% de juro real ao ano, enquanto os prefixados encostaram em taxas próximas de 14,7%.
O movimento acendeu o alerta sobre uma possível disfuncionalidade no mercado secundário. Em junho, o Tesouro já havia adotado uma postura defensiva, com redução de lotes e cancelamento de leilões tradicionais. Agora, a sinalização captada por mesas de operação é de que a recompra extraordinária entrou no radar como instrumento de contenção de danos.
Na prática, ao recomprar papéis longos que fundos e investidores tentam vender para reduzir risco, o Tesouro busca aliviar a pressão sobre os balanços do mercado e impedir que a abertura das taxas contamine de forma ainda mais intensa o custo de rolagem da dívida pública. A avaliação nas tesourarias é que o anúncio pode sair a qualquer momento, a depender do comportamento da curva nas próximas sessões.







