Novo Pacaembu já nasce sob pressão financeira
Poucos meses após captar R$ 515 milhões, concessionária tem reserva R$ 8,1 milhões abaixo do mínimo exigido pelos credores
O novo Pacaembu começou a operar com sinais de aperto financeiro. Poucos meses após levantar R$ 515 milhões para refinanciar suas dívidas, a concessionária Allegra não conseguiu formar integralmente a reserva exigida para proteger os investidores da operação.
No fechamento de junho, o fundo de reserva possuía R$ 1,72 milhão, diante de um mínimo contratual de R$ 9,79 milhões. A diferença era de R$ 8,07 milhões, ou 82% do valor exigido.
A dificuldade está na geração de caixa. Dos R$ 3,52 milhões em recebíveis arrecadados no mês, R$ 3,26 milhões foram consumidos apenas pelo pagamento de juros das duas primeiras séries da operação. Em outras palavras, 92,6% das receitas vinculadas aos credores foram usadas somente para remunerar a dívida.
O painel público da securitizadora Opea registrou o fundo de reserva como “não atendido” durante doze verificações semanais consecutivas, entre 7 de maio e 23 de julho. A verificação prevista para 30 de julho aparecia como vencida. Os documentos concedem prazo de trinta dias para a recomposição do valor.
A insuficiência não significa, por si só, calote. Os títulos continuam classificados como ativos. Mas mostra que o refinanciamento, embora tenha afastado o risco imediato de vencimento das dívidas anteriores, ainda não resolveu o desequilíbrio financeiro do projeto.
As demonstrações auditadas já revelavam o tamanho do desafio. A Allegra encerrou 2025 com prejuízo de R$ 63,9 milhões, patrimônio líquido negativo de R$ 200,7 milhões e apenas R$ 5,9 milhões em caixa. Como garantia do novo financiamento, foram entregues aos credores os recebíveis, a conta vinculada e a totalidade das ações da concessionária.
A empresa ainda pode argumentar que o complexo não atingiu sua plena capacidade de geração de receita. O edifício multifuncional, uma das principais apostas comerciais do empreendimento, somente deverá ser concluído no quarto trimestre deste ano. Até lá, porém, o Pacaembu dependerá do crescimento rápido das receitas — ou de novos aportes dos acionistas — para sustentar o peso da dívida.







