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Nove meses depois de dizer que não ia mandar na BRF, Marfrig ataca

Marcos Molina lança chapa para conselho de administração e está confiante que tem os votos que precisa para mandar na empresa

Por Josette Goulart 21 fev 2022, 17h43

Passados exatos nove meses depois de dizer em fato relevante e ao Cade que não pretendia eleger membros para o Conselho de Administração ou ter influência na BRF,  mesmo se tornando a maior acionista da empresa, a Marfrig fez o que todo mundo já sabia que ela ia fazer desde o primeiro dia: partiu para o ataque. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 21, a Marfrig de Marcos Molina, diz que o conselho decidiu que quer sim ter influência na empresa e anunciou que vai formar uma chapa para comandar o conselho de administração. Ou seja, quer mandar em tudo. A eleição para o conselho acontece em março e Molina já está seguro dos votos que terá e da sua própria posição como maior acionista da empresa.

A essas alturas do campeonato, se algum investidor desavisado pergunta se a Marfrig enganou os acionistas, em maio do ano passado, quando jurou que não queria mandar na BRF, os advogados especialistas no assunto respondem prontamente: “Não enganou, não. O segredo era ela dizer que não pretendia. O contexto mudou, a batalha se acirrou, eles estão pretendendo outras coisas agora.” Resumindo, em caso de “pretende”, desconsidere. O mercado parece que não gostou muito da notícia e as ações da BRF caem mais de 2% e as da Marfrig mais de 4%.

A operação

Com o controle pulverizado no mercado, Molina comprou um terço das ações da empresa na bolsa com a ajuda do JP Morgan em maio do ano passado. O banco inclusive financiou parte da operação por meio de derivativos sintéticos e passou a deter mais de 7% da empresa. Esta operação de derivativos foi encerrada na semana passada, segundo comunicado ao mercado.

Naquele momento, ao comprar sem qualquer aviso via mercado, era importante para a Marfrig dizer que não tinha intenção de mandar na BRF para baixar expectativas de órgãos reguladores e obter a aprovação da operação. O negócio teve o aval definitivo do Cade no fim de novembro do ano passado. Há apenas 3 meses. Neste ano, a BRF também realizou um follow on e a Marfrig injetou mais 1,8 bilhão de reais na companhia. Na prática, Molina está voltando a um mercado que já conhece pois foi dono da Seara, vendida ao JBS.

Depois de toda a briga espetaculosa dos fundos de pensão com as famílias Furlan e Fontana, o que alguns investidores importantes dizem é que, no fim das contas, Molina ganhou por WO, pagando menos do que pagaria na proposta de fusão feita em 2019 e sem precisar comprar toda a empresa. Mas, vale sempre lembrar, a assembleia de acionistas que vai chancelar Molina como manda-chuva só acontece em março.

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