Muffato prepara novo passo no Assaí; combinação entra no radar
Grupo já tem 11,2% da companhia e buscou no Cade espaço para ampliar influência societária
O Grupo Muffato prepara um novo passo em sua aproximação com o Assaí, movimento que começa a colocar uma eventual combinação entre as duas empresas no radar do setor. Ainda não há indicação de negociação formal por uma fusão, mas a evolução da participação dos empresários Ederson e Everton Muffato e a busca por maior influência societária ampliaram as especulações sobre o destino dessa relação.
Os Muffato já detêm 11,19% do capital do Assaí, participação que os coloca entre os maiores acionistas da companhia. A posição começou a ser construída no ano passado e, inicialmente, foi apresentada como um investimento de natureza financeira.
Desde então, porém, o movimento ganhou outro contorno. Os empresários transformaram parte relevante da exposição que mantinham por meio de derivativos em ações e foram ao Cade pedir autorização para continuar investindo no Assaí e exercer direitos políticos decorrentes da participação. A possibilidade de indicação de um representante independente para o conselho também passou a fazer parte da estrutura considerada.
É essa mudança, de uma posição inicialmente passiva para uma participação com potencial de influência, que alimenta no mercado a hipótese de um passo mais ambicioso no futuro. Uma combinação entre os negócios aparece entre os cenários possíveis, embora não haja, até agora, evidência de tratativas formais entre Assaí e Muffato para uma fusão.
O racional industrial existe. O Assaí faturou R$ 84,7 bilhões em 2025 e possui presença nacional, enquanto o Muffato, dono também do Max Atacadista, faturou R$ 20,4 bilhões e mantém posição especialmente forte no Paraná e em São Paulo. Juntas, as operações teriam mais de R$ 100 bilhões em vendas anuais e formariam um concorrente ainda mais robusto para Carrefour e Atacadão.
Uma eventual operação, porém, teria de superar obstáculos societários e concorrenciais. O estatuto do Assaí contém uma poison pill que obriga quem atingir 25% do capital a realizar uma oferta pública para aquisição da totalidade das ações, mecanismo que também pode alcançar determinadas reorganizações societárias e combinações de negócios. Além disso, a presença dos Muffato no capital já exige cuidados no acesso a informações estratégicas por se tratar de um concorrente direto. Por ora, o movimento concreto é outro: a família deixou de ser apenas uma investidora relevante e passou a preparar terreno para exercer maior influência sobre o futuro do Assaí.






