Mudança no consignado privado passa a assustar a Faria Lima
Mudança nas taxas e corrida por portabilidade azedam carteira que virou aposta de bancos médios e fintechs
O consignado privado, vendido ao mercado como a próxima “galinha dos ovos de ouro” do crédito, virou fonte de susto nas mesas da Faria Lima. A modalidade, voltada a trabalhadores com carteira assinada e lastreada no desconto em folha, entrou em zona de turbulência depois da queda das taxas e do avanço da portabilidade.
Um banqueiro experiente resumiu o estrago ao Radar Econômico: “Estávamos tomando com 120 para receber 100”.
A conta é simples. Bancos originaram carteiras com juros altos, pagaram comissões agressivas a correspondentes e depois venderam esses créditos no mercado, via securitização, com ágio. O problema é que, com o teto de referência na casa dos 1,99% e a pressão regulatória sobre os juros, trabalhadores passaram a renegociar dívidas antigas ou migrar os contratos para instituições mais baratas.
O fluxo de juros que sustentava o ágio derreteu. Na prática, quem comprou a carteira pagando “120” passou a carregar um ativo que vale “100”. A diferença virou prejuízo seco.
Para piorar, a inadimplência já supera a barreira de 9% em algumas carteiras, segundo relatos do setor. O produto que prometia ser um dos créditos mais seguros do país virou, agora, mais uma fonte de insônia para bancos médios, fintechs e investidores que compraram o risco.







