Loovi quer levar a lógica chinesa ao seguro auto brasileiro
Com contratação em minutos, Neymar na vitrine e presença em mais de 4 mil municípios, insurtech mira um mercado de R$ 60 bilhões
A China já bagunçou o mercado brasileiro de carros. Agora, a lógica de preço, escala e tecnologia começa a mirar o serviço que vem depois da compra: o seguro auto.
Esse é o território em que a Loovi tenta se posicionar. A insurtech brasileira aposta em uma jornada 100% digital, contratação pelo celular em poucos minutos e comunicação de massa para disputar um mercado que deve movimentar cerca de R$ 60 bilhões em 2026, mas que ainda deixa a maior parte da frota nacional descoberta.
A contradição é o tamanho da oportunidade. Estimativas usadas pelo setor apontam que apenas cerca de 30% dos veículos no Brasil contam com algum tipo de cobertura securitária. Mais de 70% seguem fora do seguro tradicional. Há carro, há risco, há demanda — mas o modelo convencional ainda não conseguiu chegar a uma parte relevante dos motoristas.
A Loovi quer entrar justamente nesse vazio. Fundada em 2019, a empresa atua como representante oficial da LTI Seguros S.A., plataforma do mesmo grupo empresarial que passou pelo Sandbox Regulatório da Susep e avançou para uma nova fase após autorização do órgão regulador. Hoje, a companhia afirma estar presente em mais de 4 mil municípios brasileiros.
A inspiração vem da China. Antes de fundar a companhia, Quézide Cunha, CEO e fundador da Loovi, viveu um ano no país e acompanhou de perto a expansão de serviços financeiros, mobilidade e varejo baseados em tecnologia, simplicidade e escala. A tese é aplicar essa lógica ao seguro: cortar fricção, reduzir burocracia e transformar um produto historicamente caro em uma contratação rápida, digital e mais acessível.
“Meu maior aprendizado na China foi usar a tecnologia para simplificar processos, reduzir custos e ampliar o acesso. Minha missão é fazer isso no seguro auto”, afirma Quézide Cunha.
A operação tenta fugir do manual tradicional das seguradoras. O cliente faz a cotação, baixa o aplicativo, envia fotos do veículo e conclui a contratação pelo celular. A empresa também investiu pesado em visibilidade. Segundo a Loovi, suas campanhas somaram quase 10 bilhões de visualizações nas redes sociais no último ano. A entrada de Neymar Jr. no time de divulgação, ao lado de nomes como Whindersson Nunes e Renato Cariani, ajudou a acelerar o reconhecimento da marca, as vendas e o faturamento.
O movimento coloca a Loovi numa fronteira sensível do setor: ampliar acesso sem perder controle de risco, atendimento e segurança regulatória. Para o mercado segurador, o desafio não é apenas vender mais seguro, mas encontrar um modelo capaz de conversar com os milhões de motoristas que ficaram do lado de fora da cobertura tradicional.
Se os carros chineses forçaram as montadoras a rever preço, tecnologia e velocidade de lançamento, a próxima pressão pode vir nos serviços que orbitam o automóvel. A Loovi aposta que o seguro auto também pode ser redesenhado pela mesma lógica: menos papel, menos espera e mais celular.







