Justiça freia socorro de US$ 20 milhões à Unigel e leva disputa a credores
Empréstimo com garantia sobre planta estratégica terá de passar pelos credores e pode redesenhar a disputa por ativos e poder na recuperação de R$ 17,6 bi
A Justiça de São Paulo decidiu nesta quarta-feira, 15, não homologar imediatamente um financiamento de US$ 20 milhões para a Unigel. O empréstimo, considerado essencial para reforçar o caixa e concluir uma planta de ácido sulfúrico, terá de ser submetido à assembleia de credores marcada para 27 de julho.
A operação seria dividida em duas parcelas de US$ 10 milhões. A primeira seria aportada pelo JMG Capital FIDC e a segunda, oferecida a detentores de títulos da companhia. Os financiadores receberiam prioridade de pagamento e a planta de ácido sulfúrico como garantia.
O juiz entendeu, porém, que o empréstimo está ligado a uma reorganização mais ampla, com instrumentos conversíveis, mudanças societárias envolvendo a Nostos Participações e mecanismos de execução de ativos. Por isso, não poderia ser aprovado isoladamente. A decisão não rejeita definitivamente o financiamento, mas impede a liberação imediata dos recursos. O processo de recuperação judicial tem valor de R$ 17,6 bilhões.
O ponto central para os credores é que o socorro pode alterar a divisão de riscos e ativos da Unigel. Caso a recuperação fracasse, os novos financiadores terão preferência sobre credores antigos e uma planta estratégica como garantia. Braskem, Ultracargo e fundos credores questionaram a falta de uma avaliação pública do ativo.
O tamanho do financiamento também chama atenção. A Unigel havia obtido autorização para captar até US$ 60 milhões e alertado para o risco de caixa negativo. Ao final do processo competitivo, a operação foi reduzida a US$ 20 milhões. Os autos não esclarecem se o montante será suficiente para concluir a planta e sustentar as operações.
A assembleia ainda terá uma disputa sobre quem poderá votar. Parte dos bondholders pode também ter participação indireta na Unigel. Dependendo dos impedimentos reconhecidos pela Justiça, o equilíbrio de forças entre os credores — e o destino do plano — poderá mudar.







