IA libera R$ 900 milhões que a Vibra mantinha em estoques
Modelos preditivos elevaram a precisão da demanda a 98%, reduziram a frota necessária e ajudaram a derrubar em 67% o índice de acidentes
A Vibra calcula ter liberado R$ 900 milhões que permaneciam imobilizados em estoques de combustíveis após adotar inteligência artificial para prever a demanda e definir quanto de cada produto deve ser armazenado em suas bases. A tecnologia permitiu reduzir o capital parado sem comprometer o abastecimento dos clientes. “A gente não perdeu nível de serviço”, afirma Daniel Drumond, vice-presidente de Operações da companhia.
A operação combina 135 modelos de “gêmeos digitais”, que reproduzem virtualmente a cadeia de suprimentos, e outros 96 modelos preditivos. Eles processam informações sobre safras agrícolas, atividade industrial, projeções do PIB, consumo regional e novos contratos comerciais. A margem de erro das previsões ficou abaixo de 2%, desempenho 20% superior ao sistema anteriormente utilizado pela empresa.
O projeto começou há cerca de dois anos e meio. Todos os meses, a Vibra roda centenas de modelos matemáticos e escolhe aquele que apresentou maior precisão para orientar a previsão seguinte. “Não tem como fazer na mão, não tem como fazer, vamos dizer, no Excel”, diz Drumond. A antecipação é especialmente relevante na importação de diesel, já que a contratação de navios e a chegada do produto aos portos podem exigir até 45 dias.
A IA também avalia mais de 10 mil variáveis para organizar o transporte entre bases e clientes. A otimização das rotas permitiu reduzir em 11% o número de veículos necessários para as entregas e, segundo a Vibra, já produziu ganhos de dezenas de milhões de reais em fretes.
Na frente de segurança, toda a frota de entrega passou a operar com câmeras e inteligência artificial embarcada. O sistema identifica sinais de sono, ausência de cinto, desvio de faixa e obstáculos nos pontos cegos. Caso o motorista não corrija a conduta, o alerta é enviado à torre de controle. A empresa atribui à tecnologia uma redução de 67% no índice de acidentes.
O próximo passo será transformar a atual central logística em uma “Torre de Controle Agêntica Autônoma”, na qual diferentes agentes de IA poderão monitorar estoques, cargas e rotas de forma coordenada. “A inteligência artificial transforma radicalmente a nossa eficiência”, diz Drumond. A ideia é transferir parte do trabalho de execução manual para sistemas autônomos, deixando as equipes concentradas na supervisão e nas decisões críticas.







