ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Radar Econômico

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças

Governo usa vitória do Cade contra Apple para defender mais regulação

Panfleto distribuído pela Fazenda no Congresso cita comissões de em lojas de aplicativos como argumento a favor do PL 4.675

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 11h15
Governo usa vitória do Cade contra Apple para defender mais regulação Priorizar nos meus resultados Google

O Ministério da Fazenda está usando uma vitória obtida pelo próprio governo para justificar uma nova camada de intervenção sobre as plataformas digitais. Em panfleto distribuído a lideranças do Congresso, a pasta cita as comissões de até 30% cobradas pelas lojas de aplicativos como um dos principais argumentos para a aprovação do PL 4.675/2025, conhecido como PL de Mercados Digitais.

A peça, assinada pela Fazenda, promete “mais concorrência, mais inovação e mais liberdade para empreender” e apresenta como exemplos as taxas cobradas por lojas de aplicativos, os riscos à concorrência nos pagamentos digitais e as cláusulas de exclusividade em marketplaces e plataformas de delivery.

O problema para a narrativa oficial é que uma das principais distorções apresentadas no material já foi enfrentada pelo Cade com os instrumentos atuais. Em dezembro de 2025, a autarquia homologou um acordo com a Apple que obrigou a empresa a flexibilizar as regras da App Store no Brasil, permitindo pagamentos externos e formas alternativas de distribuição de aplicativos.

O episódio mostrou que o modelo concorrencial vigente, baseado na investigação de condutas concretas e na aplicação da legislação antitruste, foi capaz de produzir mudanças relevantes em um dos mercados mais fechados da economia digital. É justamente essa contradição que começa a alimentar a resistência ao projeto no Congresso.

Continua após a publicidade

O PL 4.675 vai além da repressão a práticas anticoncorrenciais. A proposta permite que determinadas plataformas sejam previamente classificadas como agentes de relevância sistêmica e submetidas a obrigações específicas. Na prática, o Cade deixaria de atuar apenas como autoridade de defesa da concorrência e se aproximaria de um regulador permanente dos mercados digitais.

A leitura dos críticos é que o governo está construindo uma nova máquina regulatória antes de provar que a atual deixou de funcionar. Ao usar o caso Apple como vitrine, a Fazenda acabou oferecendo munição aos adversários do projeto: o exemplo escolhido para demonstrar a necessidade de mais poder estatal pode mostrar justamente que o Cade já dispõe de ferramentas para agir.

Continua após a publicidade

O material também sinaliza uma ofensiva sobre marketplaces e aplicativos de entrega, ao citar taxas elevadas, exclusividade e falta de transparência. Nos bastidores, a avaliação é que o governo tenta recuperar pela via concorrencial parte de uma agenda regulatória que encontrou resistência no Congresso. O debate, portanto, deixou de ser apenas sobre taxas ou comissões e passou a tratar dos limites da intervenção estatal em um ambiente que já vem sendo fiscalizado.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).