Governo põe mais R$ 1 bi em garantias para tirar Move Brasil do acostamento
Após cobrança de Lula, Planalto zera encargo e BNDES ameaça retirar limites dos bancos que não emprestarem; programa ainda precisa quase dobrar o ritmo para alcançar os R$ 30 bilhões
O governo decidiu reforçar em R$ 1 bilhão as garantias do Move Brasil numa tentativa de acelerar o programa de renovação da frota de motoristas de aplicativos e entregadores. O novo aporte elevará de R$ 2 bilhões para R$ 3 bilhões a reserva do Fundo Garantidor para Investimentos destinada à iniciativa.
A medida está embutida na MP publicada no sábado, que autoriza R$ 3,5 bilhões em aportes a fundos garantidores. A exposição de motivos reconhece expressamente que a execução do Move indica a necessidade de mais R$ 1 bilhão. O texto também zerou a comissão cobrada pelo FGI nas operações do programa.
O reforço ocorre depois de Lula cobrar pessoalmente Banco do Brasil e Caixa pela baixa execução. Até 30 de julho, haviam sido aprovados R$ 2,2 bilhões para 21.720 motoristas, apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões anunciados.
O BNDES também passou a apertar os bancos que receberam limite, mas não estão conseguindo emprestar. Instituições que utilizarem menos da metade da cota perderão 25% do espaço; aquelas que ficarem abaixo de 25% em duas apurações poderão perder todo o limite. A próxima redistribuição está marcada para sexta-feira, 7.
O relógio, porém, continua correndo. Para consumir os R$ 27,8 bilhões restantes até 15 de setembro, o Move precisaria aprovar cerca de R$ 590 milhões — ou 5.800 veículos — por dia, incluindo fins de semana. O BNDES informa ter alcançado recentemente quase 3.000 operações diárias. Mesmo nesse ritmo, o programa chegaria a aproximadamente R$ 16,6 bilhões, pouco mais da metade do prometido.







