Gol entra na cabine de Azul e American Airlines
Cade aceita Abra como terceira interessada no caso e transforma a entrada da American no capital da Azul em disputa direta entre rivais
A disputa pela entrada da American Airlines no capital da Azul ganhou um passageiro incômodo no Cade. A Superintendência-Geral do órgão antitruste aceitou o Grupo Abra, controlador da Gol, como terceiro interessado no processo que analisa a operação.
Na prática, a Gol passa a ter acesso formal ao caso e poderá atuar para tentar impor restrições — ou mesmo dificultar — o avanço do acordo entre as concorrentes.
O movimento veio após a Abra reforçar sua ofensiva jurídica e econômica. A holding da Gol anexou ao processo pareceres assinados pelo ex-conselheiro do Cade Carlos Ragazzo, pelo economista Guilherme Resende e pela Charles River Associates.
A tese central é que o mercado Brasil-Estados Unidos pode caminhar para uma concentração excessiva em torno de dois grandes blocos. De um lado, Latam e Delta. De outro, um grupo formado por Azul, American Airlines e United Airlines, que também tem participação na companhia brasileira.
Para sustentar o argumento, a Abra apresentou uma análise econométrica com dados de 2020 a 2025. O estudo busca demonstrar que, historicamente, o aumento da concentração nas rotas entre Brasil e Estados Unidos esteve associado à alta no preço das passagens.
Ao mesmo tempo, o Cade fechou a porta para entidades de defesa do consumidor que também tentavam ingressar no processo, como IBCI e IPSConsumo. A avaliação da Superintendência foi que os institutos apresentaram argumentos genéricos e que a entrada de novos terceiros poderia atrasar a análise.
Com isso, o órgão limpou o tabuleiro. A discussão deixa de lado atores periféricos e passa a concentrar o embate entre as próprias companhias aéreas: de um lado, a Azul tentando reforçar seu caixa com o apoio da American; de outro, a Gol municiada por pareceres técnicos para tentar elevar o custo regulatório da operação.







