GCB oferece crédito judicial com retorno de 36% ao ano
O prêmio é alto, mas o risco também exige lupa
A GCB Investimentos está colocando o crédito judicial na prateleira dos ativos alternativos para o varejo. A gestora lançou uma emissão lastreada em um crédito empresarial já reconhecido de forma definitiva pela Justiça, com investimento mínimo de R$ 1 mil, prazo estimado de 48 meses e rentabilidade projetada de 36% ao ano.
O ativo nasce de cédulas de crédito bancário que já transitaram em julgado. Ou seja: a discussão sobre a existência da dívida acabou. O processo está na fase de cumprimento de sentença e conta com avais pessoais, patrimônio identificado e bloqueios cautelares deferidos judicialmente, pontos que ajudam a sustentar a tese de recuperação.
A ofensiva mostra como uma classe antes restrita a fundos especializados e investidores institucionais começa a ganhar embalagem de produto de plataforma. Desde 2023, a GCB estruturou 49 emissões de crédito judicial, somando mais de R$ 130 milhões ofertados. Só no primeiro semestre de 2026, foram 14 operações, com R$ 66,1 milhões — acima de todo o volume de 2025, quando 27 emissões somaram R$ 56,7 milhões.
“O mercado de crédito privado amadureceu significativamente nos últimos anos e o investidor passou a buscar alternativas que complementem os instrumentos tradicionais”, diz Julio Antunes, diretor de Special Situations da GCB. Segundo ele, a análise vai além da decisão favorável: considera robustez jurídica, fase do processo, capacidade de recuperação, garantias e situação patrimonial dos devedores.
Na prática, a GCB quer transformar um ativo de bastidor — crédito judicial reconhecido, mas ainda em execução — em mais uma peça da carteira de quem já se acostumou com CRIs, CRAs, debêntures e FIDCs. O prêmio é alto, mas o risco também exige lupa.







