Exportações de maquiladoras do Paraguai crescem 24% puxadas pelo Brasil
Brasil absorve 63% dos embarques do regime, que cobra imposto único de 1% e atrai etapas da produção de companhias brasileiras
As exportações das indústrias instaladas no regime de maquila do Paraguai cresceram 24% entre janeiro e maio, para US$ 594 milhões. O Brasil recebeu 63% dos embarques, enquanto o Mercosul concentrou 79%, segundo o Conselho Nacional das Indústrias Maquiladoras de Exportação.
O modelo cobra imposto único de 1% sobre o valor agregado no Paraguai ou sobre a fatura de exportação, prevalecendo o maior montante. O incentivo tem atraído empresas brasileiras interessadas em transferir ao país vizinho etapas mais sensíveis aos custos, mantendo no Brasil atividades como marca, distribuição e desenvolvimento de produtos.
Um levantamento da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai contabiliza 232 empresas brasileiras que adotaram o regime desde 2007. O número não representa uma saída completa do país, mas revela uma reorganização das cadeias produtivas voltadas ao próprio mercado brasileiro.
Autopeças responderam por 31% das exportações das maquiladoras até maio, seguidas por alimentos e bebidas, com 17%, e confecções e têxteis, com 16%. O número de empregos vinculados ao regime chegou a 35.357 em abril, avanço de 8% em um ano. A expansão mostra que parte do crescimento industrial destinado a atender o consumidor brasileiro está ocorrendo do outro lado da fronteira.
Para Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, empresa que ajuda negócios brasileiros a avaliar e estruturar operações em outros territórios como forma de ganhar competitividade, não se trata de uma substituição da indústria brasileira pela paraguaia, mas de uma reorganização regional das cadeias produtivas. “Muitas empresas mantêm no Brasil a marca, a distribuição, o desenvolvimento de produtos e o relacionamento comercial, enquanto instalam no Paraguai etapas de produção que precisam de maior competitividade”, afirma.







