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EUA ameaçam escalar tarifaço se Brasil retaliar

Decisão do USTR diz que aumento de tarifas contra produtos americanos pode mostrar que sobretaxa de 25% 'não é suficiente'

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 11h21 | Atualizado em 16 jul 2026, 16h31
EUA ameaçam escalar tarifaço se Brasil retaliar Priorizar nos meus resultados Google

O governo Donald Trump deixou uma ameaça direta ao Brasil escondida na decisão que oficializou o novo tarifaço: se o país retaliar os Estados Unidos, Washington poderá concluir que a sobretaxa de 25% não é suficiente e escalar ainda mais as punições comerciais.

O aviso aparece nas páginas finais do documento publicado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. Segundo o texto, uma ação brasileira que aumente as restrições ao comércio americano — “como aumentos de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos” — poderá indicar que a resposta adotada por Washington no patamar atual não basta.

O documento acrescenta que a tarifa de 25% não impede a aplicação de outras medidas com base na Seção 301 da legislação comercial americana ou em outras autoridades disponíveis ao governo dos Estados Unidos.

Na prática, o governo Trump colocou o Brasil diante de uma ameaça de retaliação à retaliação. O alerta atinge diretamente a intenção do governo Lula de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite elevar tarifas, suspender concessões comerciais e adotar outras contramedidas contra países que prejudiquem as exportações brasileiras.

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O USTR não informa qual seria a nova alíquota nem determina que a escalada ocorrerá automaticamente. Mas deixa documentado que uma resposta tarifária brasileira poderá ser usada como justificativa para concluir que os 25% são insuficientes.

A decisão também oferece o caminho inverso. Se o Brasil adotar medidas que reduzam as restrições apontadas pelos Estados Unidos, o USTR poderá modificar ou encerrar o tarifaço. Washington transformou, assim, a tarifa em instrumento permanente de pressão: concessões brasileiras podem reduzi-la; uma retaliação pode fazê-la subir.

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