Economia piora na pesquisa BTG, mas Lula ainda resiste ao mau humor do eleitor
Avaliação da economia piorou cinco pontos em uma semana; levantamento mostra que Flávio dispara entre brasileiros que dizem ter empobrecido desde 2022
O humor do brasileiro com a economia piorou de forma significativa em apenas uma semana, mas a deterioração ainda não chegou às intenções de voto do presidente Lula. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 10, mostra que 52% dos eleitores consideram a economia do país ruim ou péssima, cinco pontos acima dos 47% registrados na rodada anterior. A parcela dos que avaliam o cenário como ótimo ou bom caiu de 21% para 17%. O movimento supera a margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento.
A piora aparece também nas expectativas. Apenas 33% acreditam agora que a economia vai melhorar nos próximos seis meses, contra 40% na semana passada. Os que esperam piora passaram de 29% para 31%. Ao mesmo tempo, permanece uma diferença importante entre a visão do país e a expectativa para o próprio bolso: 45% acreditam que sua situação financeira pessoal vai melhorar nos próximos seis meses, enquanto apenas 12% projetam piora.
Por enquanto, Lula atravessa essa mudança de humor sem sofrer uma perda equivalente nas urnas. No primeiro turno, o presidente oscilou de 41% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 37% para 35%. Num eventual segundo turno, Lula passou de 46% para 47%, e Flávio caiu de 45% para 44%. Todas essas variações estão dentro da margem de erro.
Os números expõem um dos principais desafios da campanha governista. Embora 46% dos entrevistados afirmem que a economia está pior do que no governo anterior e apenas 39% enxerguem melhora, essa percepção negativa ainda não se transformou em uma rejeição eleitoral adicional a Lula. A avaliação do próprio governo também piorou: 44% classificam a gestão como ruim ou péssima e 34% como ótima ou boa.
A espécie de colchão para Lula parece estar justamente na distância entre o mau humor com a economia nacional e a percepção sobre a vida pessoal. Enquanto o brasileiro continuar acreditando que o país vai mal, mas que seu próprio bolso ainda pode melhorar, o presidente pode resistir eleitoralmente. Para o Planalto, o sinal de alerta da pesquisa BTG/Nexus é outro: em uma eleição apertada, a fronteira perigosa será cruzada se a piora hoje atribuída à economia do país começar a ser sentida também dentro de casa. A pesquisa ouviu 2. 001 eleitores entre 7 e 9 de agosto e está registrada no TSE sob o número BR-08428/2026.







